Após perder pai e irmão de Covid, prefeito de Mongaguá chora em live e implora fechamento de comércio

FÁBIO MUNHOZ
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de Mongaguá (89 km de SP), Márcio Melo Gomes, o Márcio Cabeça (Republicanos), foi às lágrimas durante uma live transmitida nesta terça-feira (30) na página oficial da prefeitura no Facebook após perder o pai e um irmão para a Covid-19. Ambos estavam internados e vieram a óbito em menos de uma semana. Gomes desabafou ao comentar sobre críticas que vem recebendo por parte de comerciantes da cidade, localizada na Baixada Santista. Desde o dia 19 de março, a região adotou um lockdown para tentar conter a disseminação do coronavírus. Somente atividades consideradas como essenciais podem funcionar e, ainda assim, com restrições de horários. "Como eu queria hoje sair dessa live aqui e poder ouvir do meu pai e do meu irmão assim: 'eu quebrei. O meu comércio quebrou'. Sabe por que? Porque nós já quebramos e, com a vida, nós conseguimos dar a volta por cima. E eu não vou ouvir deles isso mais", disse o prefeito. Tanto o irmão quanto o pai dele eram comerciantes. Segundo reportagem do jornal A Tribuna, o pai de Gomes, Givaldo Alves Gomes, 64 anos, morreu no dia 22 no Hospital Regional Jorge Rossmann, em Itanhaém (106 km de SP). O irmão do prefeito, Givaldo Melo Gomes Júnior, 33 anos, morreu no dia 28. Ele estava na Santa Casa de Santos (72 km de SP). "Tudo que eu pude fazer para conciliar as duas coisas, de proteger o cidadão de Mongaguá e o comércio tentar sobreviver, vocês podem ter certeza que eu fiz o máximo do que eu pude. Com erros, com acertos, mas eu fiz o máximo que eu pude", acrescentou o prefeito. Ainda durante a live, o chefe do Executivo municipal anunciou que iria sancionar uma lei que prevê a aplicação de multas para quem não utilizar máscara em comércios, nas ruas ou em espaços públicos. "Eu não quero multar. Eu só quero que as pessoas entendam que tem regras, que tem leis, porque enquanto você não mexe no bolso, ninguém acata nada", disse Gomes. De acordo com o prefeito, o cidadão que for flagrado sem máscara terá de pagar multa de R$ 200. Os comércios que permitirem a permanência de pessoas sem máscara serão multados em R$ 500. Se houver reincidência, os valores dobram. O prefeito afirmou ainda que os cidadãos autuados terão um prazo para o pagamento da multa. Neste período, se a pessoa se apresentar à prefeitura, poderá pagar somente a metade do valor da multa em cestas básicas, que serão revertidas para o serviço de assistência social da cidade. Em junho do ano passado, o governo de São Paulo, gestão João Doria (PSDB), também criou uma lei estadual que prevê multas para quem não usar o item de proteção facial. O diretor de Saúde de Mongaguá, Marcelo Veiga do Carmo, afirmou que, até terça, a cidade tinha 23 pessoas internadas em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) destinada somente ao tratamento de pacientes com coronavírus. A ocupação é de 100%. Ele classificou a situação como "assustadora" e alertou para o risco de colapso. "Para vocês terem uma ideia, um tambor de oxigênio que a gente usava a cada três dias, nós estamos usando a cada três horas e meia", afirmou Carmo. Segundo ele, a situação é tão grave que nem mesmo a construção de um hospital de campanha ajudaria a reduzir a pressão sobre o sistema municipal de saúde. "Não adianta eu montar uma capacidade para 100 leitos se eu não consigo hoje em dia nem ter técnico de enfermagem e nem médico para trabalhar", acrescentou. Até a noite de terça, Mongaguá tinha 3.335 casos positivos e 86 óbitos pela Covid-19. A população estimada do município, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é de 57.648 pessoas.