Após pico em março, número de mortes por Covid-19 entre profissionais de enfermagem cai em abril

Cíntia Cruz
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RIO - Um levantamento divulgado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) mostra que as mortes de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem apresentaram queda no mês de abril em todo o país. Embora março tenha sido o terceiro mês mais letal desde o início da pandemia, com 83 profissionais mortos — perdendo para abril e maio do ano passado — o mês de abril teve uma redução de 71% no número de óbitos entre estes profissionais, com 24 casos.

Para Walkirio Almeida, membro do Comitê de Crise da Covid-19 do Cofen e chefe do Departamento de Gestão do Exercício Profissional da Enfermagem do conselho, a queda do número de mortes se deve à cobertura vacinal:

— Consideramos que o principal fator para essa queda foi a questão da vacinação, da priorização que foi feita em relação aos profissionais de saúde, em especial aos de enfermagem. A vacina tem sido o principal fator de proteção e tem contribuído de maneira bem forte na redução não só do número de mortes, mas do próprio número de casos desses profissionais.

Desde o início da pandemia, 776 enfermeiros perderam a vida para a Covid-19. Em abril, foram sete profissionais de enfermagem mortos na região Norte, três no Nordeste, cinco no Centro-Oeste, oito no Sul e um no Sudeste, região que apresentou menor índice de mortes desde março de 2020.

Almeida cita fatores secundários que também podem ser atribuídos à redução do número de mortes.

— O país já não enfrenta mais o que enfrentou no ano passado, até julho, que era a questão da carência de oferta desses Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Foi um momento muito difícil. Além disso, os profissionais estão mais habituados com uso desses equipamentos. Em especial, o momento de retirada desses EPIs era o mais crítico, porque pode haver contaminação, tem que ter cuidado para não se infectar — explica o enfermeiro. — Depois de um ano da pandemia, esses profissionais conhecem melhor a doença, o comportamento do vírus, e conseguem, a partir daí, desenvolver barreiras de proteção.

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A região Sudeste foi a que apresentou maior número de mortes desses profissionais desde o início da pandemia. Foram 219 óbitos, que corresponde a 28% do total de óbitos desses profissionais no país.

Em relação aos estados, São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro tiveram o maior número de mortes no Brasil, com 101, 80 e 65 casos, respectivamente. Proporcionalmente, os estados com maior índice de profissionais de enfermagem mortos por 100 mil inscritos no Cofen são: Roraima, com 236 óbitos; Amazonas, com 154; e Mato Grosso, com 150.