Após polêmica, Portela mudará fantasia considerada racista

Nos preparativos para o carnaval em que comemorará seu centenário, a Portela se viu pressionada a mudar uma de suas fantasias para 2023, após ela ter sido considerada racista. Trata-se de uma representação do personagem Macunaíma, do autor Mario de Andrade, de 1928. O figurino da escola era composto por um chapéu em que um boneco tinha rosto e braços pretos, enquanto as mãos e os lábios eram brancos. Na internet, muitos consideraram a figura estereotipada e preconceituosa. A cantora Teresa Cristina foi uma das que se manifestaram. "Tô com dificuldade de elaborar meu pensamento sobre essa aberração", comentou ela.

Outra internauta, Aline Lima, ressaltou: "Tem certas coisas que não cabe mais aceitar", escreveu ela no Twitter. "No ano de seu centenário, a marca Portela deveria passar por uma construção fortalecida, mas os carnavalescos não estão permitindo. Lamento pela escola", continuou ela, referindo-se à dupla de carnavalescos Márcia e Renato Lage.

Diante da polêmica, a azul e branco informou nesta segunda-feira que decidiu mudar o figurino.

"A escola já definiu pela mudança da fantasia. Nós estávamos tratando de um personagem específico, da literatura de Mario de Andrade e do filme de Joaquim Pedro de Andrade numa alusão ao enredo da Portela de 1975. Diante da repercussão negativa, optamos pela alteração na fantasia", afirmou a agremiação, em nota, ainda sem a divulgação do novo desenho.

Representante do movimento negro, Edmeire Exaltação, diretora da Casa das Pretas, ressaltou que a fantasia original lembra um "black face", quando brancos caricaturam pessoas ou personagens negros.

— É muito preocupante e hoje desnecessário utilizar uma visão branca, sem a devida leitura racial para falar ou retratar questões negras e relacionadas à cultura ou ao povo negro. O boneco é feio, um estereótipo muito utilizado pelo racismo que ridiculariza a nossa imagem — afirma Edmeire.