Após posse de Lula, Ivan Baron sonha estrear na TV, conhecer ídolos e vibra com repercussão: 'Eu estava no New York Times'

A vida do potiguar Ivan Baron vem dando uma guinada nesta semana. O jovem de 24 anos foi uma das pessoas que representaram a diversidade do povo brasileiro para entregar a faixa presidencial a Lula, no último domingo. Agora, ele aproveita os frutos desse momento. Nas redes, onde se apresenta como Influenciador da Inclusão, ele já buscava comentar temas populares para tratar da causa das pessoas com deficiências (PCD). Sobre “Travessia”, por exemplo, ele faz críticas e elogios, celebrou a escalação da atriz cadeirante Tabata Contri como a doutora Juliana e, de tão envolvido no assunto, já até pediu papel para a autora Gloria Perez pelas redes.

— Foi uma brincadeira com um gostinho de verdade. Acho que não atuaria em novela, até porque não sou ator, mas talvez uma ponta para explicar sobre o capacitismo como comunicador — explica ele, que completa: — É importante ter uma mulher com deficiência em um personagem de destaque (como Tabata), e não de uma maneira triste ou piedosa. Ela está lá superempoderada e falando sobre outras questões, ajudando a protagonista a recuperar a guarda do seu filho.

Avaliações críticas

Mas o jovem de 24 anos também se posiciona criticamente quando vê necessidade. Ele já apontou falas capacitistas de Chiara (Jade Picon) e de Núbia (Drica Moraes): a primeira disse certa vez que Lídia (Bel Kutner) estava “fingindo demência”, e a mãe de Ari (Chay Suede) falou “te manca” numa discussão com outro personagem. Ivan, no entanto, sempre pontua de forma não combativa e tentando ser o mais didático possível.

— Fiquei pensando se a Gloria foi perspicaz a esse ponto de gerar essa dúvida no público (sobre as falas capacitistas na boca de personagens de caráter duvidoso serem propositais ou um deslize do texto)... E, mais ainda, se o público estaria preparado para essa inquietação. Gosto de provocar e de educar. Senti falta de momentos educativos na trama — avalia.

Sonho na TV

Influenciador desde 2018, Ivan tem paralisia cerebral, consequência de uma meningite viral provocada por intoxicação alimentar aos 3 anos. Hoje, o ativista cria conteúdo para falar de inclusão e capacitismo. Com centenas de milhares de seguidores nas redes, ele usa a internet como caminho para um público mais amplo.

— Minha meta é chegar à TV — diz ele, que, antes da posse, havia aparecido na telinha apenas em pequenas participações, como na vez em que foi jurado de um quadro do programa de Eliana.

A motivação, no entanto, não é a fama:

— Quero que uma criança com deficiência veja a representatividade ali. Ter um apresentador, um ator ou um comunicador com paralisia cerebral expondo a sua maneira de pensar e suas opiniões sobre diversos assuntos na TV, essa é minha meta. A televisão alcança um público que não é nichado. De mais idade, mais novos e os que não concordam com o que eu falo. Queira ou não, nas redes sociais só me segue quem me apoia. Quero chegar em grandes bases, inclusive a quem não tem acesso a internet.

Para o mundo

Por enquanto, as redes estão crescendo. Desde domingo, Ivan, que é formado em Pedagogia, ganhou quase 80 mil seguidores no Instagram (até o fechamento desta edição, eram 442 mil) e mais de cem mil no Tik Tok (chegando a 620 mil até ontem à noite). Segundo ele, ter subido a rampa na posse de Lula foi o momento mais especial de sua vida, e ele ainda está tentando assimilar.

— Minha cara estava na capa do (jornal) “The New York Times”! Estou recebendo (o carinho e a repercussão) de braços abertos. Mas procuro não deixar isso mudar minha cabeça, mantendo minha essência, que é o meu trabalho de informação e educação — avalia Ivan, que, após o diagnóstico de paralisia cerebral, fez sua reabilitação em Brasília pelo SUS através do Plano Viver Sem Limites, projetado no governo Lula e lançado no primeiro mandato de Dilma Rousseff.

Novos sonhos

Convidado pela primeira-dama, Janja, para a cerimônia de posse, Ivan revela que Lula era um ídolo que sempre quis conhecer. Mas a lista não para por aí:

— Vou ser ousado. A segunda pessoa que queria conhecer é o Papa Francisco, apesar de eu não ser católico ou religioso. Hoje ele é referência de justiça social e promotor da inclusão. A terceira pessoa é Lady Gaga. Desde 2007 conheço suas músicas, e as letras de empoderamento me fizeram acreditar muito no meu potencial. É meu trio de referência: Lula, Papa Francisco e Lady Gaga. Preciso conhecê-los antes de morrer.

Enquanto os encontros não acontecem, Ivan vai fazendo como seus próprios ídolos e empoderando outras pessoas. Afinal, é impossível não se inspirar nele!