Após post sexista de Eduardo Bolsonaro, Joice anuncia processo no Conselho de Ética

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A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) anunciou em suas redes sociais que entrará com representação no Conselho de Ética da Câmara contra Eduardo Bolsonaro, do mesmo partido, por conta de uma fala em que o parlamentar se referiu às mulheres integrantes da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) como "portadoras de vagina". A frase sexista, publicada por Eduardo em sua conta no Twitter, também foi repudiada por outras deputadas.

Eduardo havia usado a rede social na tarde de quinta-feira para apoiar o deputado Eder Mauro (PSD-PA), publicando um vídeo da discussão do colega com a parlamentar Maria do Rosário (PT-RS) na sessão de quarta da CCJ.

Na discussão, Mauro disse que "chamaria um médico" para Rosário "porque ela não para de falar" -- ele alegava que seu tempo de fala não estava sendo respeitado.

"Parece, mas não é a gaiola das loucas, são só as pessoas portadoras de vagina na CCJ sendo levadas a loucuras pelas verdades ditas pelo Dep. @EderMauroPA", escreveu Eduardo ao compartilhar o vídeo.

Também em seu perfil no Twitter, Joice criticou a frase sexista e solicitou que o Ministério Público Federal (MPF) também investigue o deputado.

"A frase sexista do deputado Eduardo Bolsonaro traduz no mínimo quebra de decoro parlamentar em qualquer Congresso sério do mundo. É imperativo que o @MPF_PGR atue para apurar a infração da lei penal. Entrarei nesse momento com representação disciplinar no Conselho de Ética", publicou a deputada.

Integrantes da CCJ, Maria do Rosário e a deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS) se manifestaram nas redes sobre o comportamento de Eder Mauro e o comentário sexista de Eduardo Bolsonaro. Melchiona lembrou uma ofensa dirigida pelo atual presidente Jair Bolsonaro, pai de Eduardo, quando era deputado federal:

"Eduardo, teu pai disse uma vez que não estupraria uma mulher pq ela 'não merecia'. Agora, tu reduzes elas a 'portadoras de vagina'?", criticou Melchiona.

Em outra publicação, Maria do Rosário ironizou Eduardo e afirmou que o deputado não estava "portando o cérebro" ao comentar a atitude de Eder Mauro, que, segundo a deputada, "não tem moral, nem nível para um debate de qualidade".

Esta não é a primeira vez que Eduardo é denunciado por comentários sexistas. Em janeiro deste ano, ele foi condenado a indenizar em R$ 300 mil a jornalista Patrícia Campos Mello, da "Folha de S. Paulo", por ofender sua honra ao acusá-la de "seduzir para obter informações" prejudiciais ao presidente.