Após prestar depoimento à PF, Paulo Marinho será ouvido pelo MPF nesta quinta-feira

O empresário Paulo Marinho na sede da Polícia Federal no Rio para prestar depoimento no caso da Operação Furna da Onça

RIO — Após depor à Polícia Federal (PF) na quarta-feira, o empresário Paulo Marinho prestará novo depoimento nesta quinta, desta vez ao Ministério Público Federal (MPF), sobre o suposto vazamento de informações da Operação Furna da Onça ao senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

Marinho relatou em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", no último domingo, que durante uma reunião com Flávio, em dezembro de 2018, ouviu do parlamentar que ele teria recebido detalhes da operação por intermédio um delegado da PF, entre o primeiro e o segundo turnos da eleição daquele ano. Os documentos que embasaram a operação continham um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, então chefe da segurança de Flávio. As informações teriam sido repassadas pelo delegado a um assessor do filho do presidente.

Ontem, Marinho depôs por mais de cinco horas na Superintendência da Polícia Federal do Rio. Na saída, após a conclusão do procedimento, ele não deu detalhes do que disse aos investigadores.

— Por determinação da autoridade policial, esse inquérito corre sob sigilo. Então, eu não posso, por determinação da autoridade judicial, eu não posso dar nenhuma declaração sobre o meu depoimento — afirmou Marinho ao cumprimentar jornalistas que o esperavam do lado de fora do prédio.

Bolsonaro diz que empresário terá que provar

Na noite de terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse que o empresário terá que provar suas declarações. Foi a primeira vez que Bolsonaro comentou o caso, revelado no domingo pelo jornal Folha de S. Paulo.

— Ele vai ter que provar, não vou entrar em detalhe, quem foi o delegado que teria dito para um assessor do meu filho...É sempre assim, né, "ouvi "dizer". Não, não é "ouvi dizer" — disse Bolsonaro, em entrevista ao jornalista Magno Martins, transmitida no Instagram. — Quem vai provar? "Ouvi dizer". Não é assim, não. Você está mexendo com a honra das pessoas.