Após prisão de Crivella, apontada como 'Guardiã' pede 'justiça aos inocentes'

Felipe Grinberg
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RIO — Após a prisão de Marcelo Crivella na manhã desta terça-feira, Daniele Rocha Pinto de Jesus, funcionária do gabinete do prefeito e apontada como uma "Guardiã", publicou em suas redes sociais posts de pedidos de "justiça aos inocentes". Além de estar lotada no gabinete e ter sua funcção dentro dos "Guardiões" investigada, Daniele participou ativamente da campanha de Crivella em busca da reeleição.

Nas vésperas da eleição do primeiro turno, um comício de Crivella com bolsonaristas teve funcionários da prefeitura na organização e até uma das ‘guardiãs’ no palco. Na ocasião, Daniela Rocha Pinto de Jesus participou ativamente de toda a estrutura do comício, conforme mostrou o GLOBO. A organização do evento partiu de membros do movimento “Elas com Crivella”, que conta com a participação da primeira-dama Sylvia Jane e de Daniela Rocha, que depois acompanhou o evento do palco. Além delas, várias pessoas que trabalham no cerimonial oficial da prefeitura do Rio também participaram da organização. Em uma agenda na última semana, Daniela confirmou que trabalhava na campanha do prefeito “fora do horário de seu expediente”.

Ela também foi flagrada acompanhando o prefeito em uma visita às obras do Hospital Paulino Werneck, na Ilha do Governador. Na ocasião ela afirmou ao GLOBO que trabalhava na campanha fora do horário de seu expediente. Daniela é uma das testemunhas que o MPE pede para que sejam ouvidas pela Justiça.

Preso na manhã desta terça-feira sob a acusação de fazer parte do "QG da Propina", um esquema de corrupção que acontecia dentro da prefeitura do Rio, Marcelo Crivella diz ser alvo de 'perseguição política'. Afastado do cargo, ele deve recorrer da decisão ainda hoje, quando a defesa pretende solicitar um Habeas Corpus.

— Isso é uma perseguição política. Lutei contra todas as empreiteiras, tirei recursos do pedágio, do carnaval, e isso é perseguição. Quero que se faça justiça — disse Crivella logo após a prisão.

A defesa de Crivella será conduzida pelo advogado Alberto Sampaio, o mesmo que atuou na Câmara dos Vereadores quando o político foi alvo de um pedido de impeachment. Sampaio afirmou que a detenção do prefeito "é uma injustiça" e que vai solicitar a revogação da prisão preventiva.

— É uma injustiça certamente. Foi uma surpresa, certamente. Com certeza (ele não esperava ser preso). Vou pedir ainda hoje um habeas corpus — afirmou o advogado.

Cinco agentes do Ministério Público e da Polícia Civil chegaram pouco antes das 6h em quatro carros à casa de Crivella, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Ele ainda estava dormindo quando os policiais tocaram a campainha de seu apartamento, que fica no segundo andar de um prédio de luxo. Ainda de pijamas e sem entender o que estava acontecendo, recebeu os agentes e os levou até a sala.

Crivella foi levado para a Delegacia Fazendária, na Cidade da Polícia, na Zona Norte. Ele deve participar de uma audiência de custódia às 15h com a desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, que decretou a prisão do prefeito.