Após proibição de pomada de cabelo que causa cegueira, Conselho de Química divulga cartilha de cuidados

O Conselho Regional de Química do Rio divulgou, nesta sexta-feira, uma cartilha informativa com orientações à população sobre o uso de produtos cosméticos que podem provocar graves problemas de saúde. O documento foi preparado após o Instituto de Vigilância municipal proibir, nesta quinta-feira, o uso e o comércio da pomada modeladora Cassu Braids, utilizada para fazer penteados, como tranças e baby hair, além de outros produtos fabricados pela empresa Microfarma Indústria e Comércio Ltda. A proibição se deu após serem registrados, em uma semana, 195 casos de lesões na córnea pelo uso de cosméticos que não tinham regulamentação.

No Hospital municipal Souza Aguiar, os pacientes apresentavam dor intensa, ardência, dificuldade de abrir os olhos, embaçamento e até cegueira temporária, supostamente ocasionados por produtos para trançar e modelar os cabelos. De marcas variadas, as pomadas utilizadas são compostas, em sua maioria, por fixantes, corantes e outras substâncias que provocam lesão quando em contato com a mucosa.

Rafael Almada, presidente do Conselho regional de Química, explica o motivo de as substâncias causarem tamanha reação nos olhos.

— Esses produtos são usados geralmente para fazer uma compactação do volume do cabelo e, muitas vezes, têm formulas que alteram a composição química dos fios. Os cachos se formam com pontes de enxofre e essas substâncias quebram essas pontes, deixando o cabelo mais alisado. Quando há contato com os olhos, elas alteram o ph natural da mucosa e geram alergias e outras enfermidades que vão comprometer a saúde ocular — explica Rafael.

Ele chamou atenção para uma prática que pode causar ainda mais danos: as misturas caseiras.

— A gente tem tentado orientar a população no sentido de não só escolher e usar corretamente um produto, e verificar a procedência e se é confiável. Tem pessoas que querem manipular produtos em casa ou misturar produtos para aumentar eficiência. Isso é muito perigoso. Não pode de jeito nenhum — disse Rafael.

Todo e qualquer produto químico deve ser fabricado por profissionais capacitados e registrados em conselho profissional, conforme reforçou a coordenadora da Câmara Técnica de Segurança Química do CRQ, Carla Calado.

— É papel do Conselho garantir a a segurança da sociedade. E as normas e registros desses produtos são controlados pelas agências de vigilância sanitária municipais, estaduais e a Anvisa — afirma Carla.

Entre as orientações descritas na cartilha, o órgão chama a atenção para a leitura do rótulo dos produtos, onde constam as especificações químicas e informações sobre regularização junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o responsável técnico, do que é composto, e até mesmo se contém algum componente alergênico. Se o responsável técnico do produto for um Químico, deverá estar registrado no Cionselho Regional de Química da Terceira Região. A consulta pode ser feita pelo site do órgão.

Aos consumidores, o alerta vai para o pós-penteado: deve-se evitar tomar banhos de piscina e mar ao usar os produtos. A dica é ao lavar os cabelos, proteger, de forma cuidadosa, os olhos, evitando o contato do produto com essa parte do corpo. Se estiver com algum problema nos olhos, como conjuntivite, é preferível evitar o uso dos produtos.

Já em relação aos profissionais, o órgão recomenda que informem aos clientes sobre os cuidados, principalmente com o contato involuntário nos olhos, que pode acarretar efeitos indesejáveis graves, como cegueira temporária. Além disso, é importante fazer uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI), como luvas, óculos, máscaras, entre outros.

Para relatar a ocorrência de quaisquer efeitos indesejáveis à saúde supostamente relacionados com o uso de produtos cosméticos deve ser registrada pelo site da Anvisa.