Após protestos, jogadores negros mostram credenciais e comandam goleada da Inglaterra sobre Irã

Se não puderam entrar em campo a braçadeira nas cores do arco-íris pela causa LGBTQIA+, proibida pela Fifa, os ingleses se concentraram numa cor só. Ao se ajoelharem no campo antes do jogo da Copa do Mundo, levantaram a bandeira de outra causa tão importante quanto: o racismo. E não poderia ser mais simbólico a goleada de 6 a 2 na estreia contra o Irã ter vindo com cinco gols de jogadores negros. Grealish fez o último.

Alireza Beiranvand: Goleiro substituído do Irã já viveu chacota e redenção envolvendo Cristiano Ronaldo

Marca histórica: Bellingham, da Inglaterra, é o 1º nascido no século XXI a marcar em Copas do Mundo

Na manifestação antes do apito inicial, os atletas ajoelharam para se posicionar de maneira geral contra atos de discriminação. Os jovens Bellingham e Saka, assim como os já mais experientes Sterling e Rashford, deram o tom da importância do futebol também como política, algo que a Fifa tenta impedir. O último, que começou do banco, nunca se calou das ofensas racistas. Viu um algoz ser condenado pelo crime e pressiona dirigentes por mudanças.

Dentro de campo também se viu um futebol mudado da Inglaterra. Vindo de um jejum de seis jogos sem vitórias e sob desconfiança da imprensa local, o time de Gareth Southgate não poderia ter tido melhor início de Copa do Mundo possível. Com um jogo de toque de bola rápido, os ingleses mostraram um futebol competitivo na goleada desta segunda-feira, no estádio Khalifa.

Mesmo com o Irã praticamente jogando em casa, abraçado pela torcida que cruzou o Golfo e dominou o estádio, em nenhum momento da partida a Inglaterra esteve sob ameaça. A seleção iraniana até tentou limitar os espaços dos ingleses com duas linhas de quatro fazendo a barreira.

Não fez efeito. Sterling soube achar os buracos necessários na defesa fraca do Irã para alimentar o ataque inglês. O esquema 4-3-3 da Inglaterra, que também pode ser um 4-5-1, funcionou quase sem defeitos. O domínio foi tanto que no primeiro tempo a posse de bola dos ingleses foi de 72%. O clichê de que o adversário não viu a bola nunca fez tanto sentido.

Inglaterra x Irã: Quem é a repórter que usou braçadeira LGBTQIAP+ no pré-jogo

A estrela em ascensão Jude Bellingham, de 19 anos, mostrou suas credenciais para se tornar a revelação do Mundial. Com domínio do meio-campo, ele soube se posicionar para abrir o placar e ser o primeiro jogador nascido no século XXI a marcar numa Copa do Mundo.

Todos os gols foram bem trabalhados pelo time inglês. O de Sterling, por exemplo, mostra que o time tem recursos. No terceiro gol, a jogada iniciou dos pés do goleiro Pickford, o meio-campo ganhou a disputa e Sterling entrou bem na área para finalizar praticamente de calcanhar.

Lembrança rubro-negra: Inglaterra estreia em mesmo estádio de Flamengo e Liverpool em 2019

A goleada ainda virou a atenção aos jovens talentos ingleses. Além de Bellingham, Saka, de 21 anos, mostrou poder de finalização e gingado nos dois gols.

O ponto fraco ficou com o capitão e artilheiro Harry Kane, que passou em branco numa goleada. Sem ter praticamente nenhuma chance clara de gol, ele jogou coletivamente e participou da jogada de dois gols. Inclusive do penúltimo marcado por Rashford, que meteu a bola na rede na primeira jogada após entrar em campo.

'Parece um avião': poltronas, qualidade e limpeza do metrô de Doha impressionam estrangeiros

Com muitos minutos de acréscimos, ainda houve tempo para mais dois gols, um de cada lado.

Claro que o fraco adversário não pode ser a medida do futebol numa Copa do Mundo. Mas já há motivos para os ingleses, quarto lugar em 2018, ficarem esperançosos.

O próximo jogo da Inglaterra é no fim desta semana: na sexta-feira, dia 25, enfrenta os Estados Unidos no estádio Al Bayt, partida marcada para as 16h. No mesmo dia, também pelo Grupo B, o Irã joga contra País de Gales às 7h, no estádio Ahmad Bin Ali.