Após quase um ano de atraso, hospital modular de Nova Iguaçu é inaugurado com metade da capacidade

Lucas Altino
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RIO - Em evento lotado, com aglomeração e clima de campanha eleitoral, o governador em exercício do Rio, Cláudio Castro, inaugurou o hospital modular Dr Ricardo Cruz, em Nova Iguaçu, na manhã deste sábado. A unidade, que estava com estrutura pronta desde junho de 2020, vai começar a operar com metade de sua capacidade - apenas 150 dos 300 leitos previstos - e terá foco imediato no tratamento a pacientes com Covid-19. Castro, que defendeu a "despolitização" do debate sobre a gestão da pandemia, deve publicar ainda neste sábado um novo decreto sobre a continuidade das medidas restritivas no estado.

A cerimônia teve presença de centenas de pessoas, incluindo dezenas de deputados, vereadores, secretários e prefeitos da Baixada Fluminense, o que vai contra o decreto do próprio governador, que proíbe eventos e aglomerações. Castro só começou discursar 40 minutos após o início da agenda, tempo ocupado por diversos parlamentares, como os deputados estaduais Alexandre Knoploch (PSL), Márcio Pacheco (PSC), Leo Vieira (PSC), Max Lemos (PSDB) e Marcelo Dino (PSL), que chegou a dizer que Castro foi "escolhido por Deus" para comandar o Rio durante a pandemia.Todos que discursaram usavam máscaras, mas o superintendente do Ministério da Saúde no Rio, George Divério, foi o único a falar com a máscara embaixo do nariz, ou seja, utilizando o item de maneira inadequada.

Cláudio Castro discursou por cerca de 15 minutos e depois entrou para conhecer o hospital, sem responder perguntas da imprensa. Na sua fala, defendeu o trabalho do governo na distribuição das vacinas e na abertura de leitos. Segundo o governador, nos últimos 10 dias foram abertos 397 leitos no estado, fora os 150 deste sábado. O governador também defendeu a "vacinação contra a fome" , ao defender a preservação de empregos durante a pandemia, mas não adiantou o conteúdo do novo decreto a ser publicado neste sábado. As regras em vigor duram até domingo.

- Precisamos nos preocupar com os empregos. Não existe a dicotomia entre saúde e economia, elas são complementares. É muito fácil falar para fechar tudo, mas se fizermos isso, nem municípios, nem estado e nem o governo federal terão dinheiro para pagar sequer os insumos desse hospital. Temos que despolitizar o debate - afirmou Castro.

Entre a bancada federal, houve presença, entre outros, dos deputados Dr Luizinho (PP), que já foi cotado para os cargos de Secretário de Saúde e Ministro da Saúde e da deputada Rosângela Gomes (Republicanos). Diversos prefeitos, como Washington Reis, de Duque de Caxias e Jorge Miranda, de Mesquita, também prestigiaram. As falas foram todas para celebrar a inauguração do equipamento, que será importante para desafogar o Hospital Geral de Nova Iguaçu - o Hospital da Posse - que atende a outros municípios vizinhos e convive com superlotação, principalmente na pandemia. O atraso da inauguração, porém, foi minimizado, e muitos dos presentes, como Divério, chegaram a dizer que a unidade abrirá em boa hora, pois o estado vive o auge de contágios.

Hospital abre após quase um ano parado

O hospital Dr Ricardo Cruz - médico que faleceu durante a pandemia - começará a operação com 150 leitos. As transferências começarão neste sábado, e os primeiros pacientes deverão chegar até a manhã de domingo. Serão 60 leitos de UTI e 90 de enfermaria, nessa primeira fase de funcionamento. Ao todo foram construídos 300 leitos, sendo 120 de terapia intensiva e 180 de enfermaria, sob custo de cerca de R$50 milhões. A gestão ficará a cargo da organização social Ideas, escolhida após série de problemas que adiaram a inauguração.

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Construído pela secretaria estadual de obras em junho do ano passado, o hospital ficou parado enquanto se discutia quem seria responsável pela sua gestão. A secretaria dizia que não poderia ser a administradora direta, pois o Regime de Recuperação Fiscal impedia novas contratações, então a escolha foi por uma organiazação social.

Após promessas descumpridas pela gestão de Wilson Witzel, o secretário de Saúde Carlos Alberto Chaves anunciou que a unidade abriria no último dia 20 de janeiro, o que não ocorreu. A primeira OS escolhida, Cruz Vermelha, foi desqualificada no dia 4 de fevereiro. Por isso, em março houve nova convocação e a OS Ideas foi a escolhida para uma operação de 6 meses em um contrato de R$44 milhões. A promessa do governo é que, após a pandemia, a unidade fique de legado. Uma alternativa é ser transformada em hospital oncológico.