Após quatro horas de ato, manifestação em São Paulo começa a dispersar

·3 minuto de leitura
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 29-05-2021: Manifestantes durante ato contra o presidente Jair Bolsonaro, na avenida Paulista, em São Paulo. Movimentos de esquerda fazem manifestação nacional pelo impeachment de Bolsonaro. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 29-05-2021: Manifestantes durante ato contra o presidente Jair Bolsonaro, na avenida Paulista, em São Paulo. Movimentos de esquerda fazem manifestação nacional pelo impeachment de Bolsonaro. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após mais de quatro horas de ato em São Paulo contra o presidente Jair Bolsonaro, os manifestantes começaram a dispersar nas imediações da praça Roosevelt, no centro da capital paulista. O protesto começou por volta das 16h deste sábado (29) e reuniu milhares de pessoas na avenida Paulista, que foi bloqueada ao longo de sete quarteirões a partir da frente do Masp (Museu de Arte de São Paulo).

De lá, a manifestação seguiu pela rua da Consolação até chegar à praça, onde por volta das 20h15 começou a dispersão dos participantes do ato. O protesto em São Paulo fez parte da série de atos pelo país apoiados por centrais sindicais, movimentos sociais e partidos de esquerda.

Pela manhã, houve atos em capitais como Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Recife.

A manifestação paulistana contou com a presença do pré-candidato do PSOL ao Governo de São Paulo, Guilherme Boulos. Ao chegar ao evento, o líder partidário, que também é um dos coordenadores da frente Povo sem Medo, disse que "derrotar o Bolsonaro é uma questão de saúde pública".

Indagado sobre o fato de o protesto ser realizado em meio à pandemia de Covid-19, Boulos afirmou: "Se você olhar em volta, vai ver todas as pessoas de máscara. Não há nenhum tipo de comparação entre essa manifestação e aquelas promovidas pelo Bolsonaro, baseadas no negacionismo".

Apesar de várias horas de protesto no centro de São Paulo, quase a totalidade dos manifestantes usam máscaras. No carro de som os organizadores pediram distanciamento várias vezes, sem sucesso —havia muita aglomeração.

Os organizadores estimaram que 80 mil pessoas tenham participado do protesto.

Uma das presentes no ato foi a psicóloga Elizabeth Couto, 76. Apesar de estar em uma das faixas etárias mais atingidas pela pandemia, ela avalia que participação nos atos é importante para que os mais jovens, como a sobrinha que a acompanhava, sejam vacinados.

"Bolsonaro é um genocida. Quero meu Brasil de volta, para mim, para minha sobrinha. Fui vacinada, e acho que todos os vacinados deveriam estar aqui também", disse Elizabeth.

As manifestações, que foram alvo de críticas por acontecerem presencialmente em meio à pandemia da Covid-19, foram realizadas num momento em que o país ultrapassa 450 mil mortes pela doença, sendo 2.418 registradas em 24 horas. Pelo menos nove capitais, além do Distrito Federal, têm ocupação acima de 90% dos leitos de UTI.

A recomendação dos organizadores para a utilização de máscaras teve ampla adesão de manifestantes —houve distribuição do equipamento no local.

Organizada por frentes sociais como Povo sem Medo, Brasil Popular e Coalizão Negra por Direitos (que são integradas por dezenas de entidades) e apoiada por partidos como PT, PSOL, PC do B, PCB, PCO e UP, a manifestação representa um avanço para a ala da esquerda que defende ir às ruas e reunir multidões contra Bolsonaro.

Houve um racha nos segmentos de oposição ao presidente nos últimos meses sobre promover atos populares em meio à pandemia, mas ganhou força na esquerda um entendimento de que a situação de descontrole da Covid-19 e os índices de desemprego e fome exigem a realização de protestos.

Organizadores também disseram que iriam aconselhar pessoas que integram grupos de risco da doença ou que estivessem com sintomas a evitarem participar do protesto.

A promoção de aglomerações contraria as recomendações de médicos e especialistas para evitar a propagação do vírus. Em ambientes ao ar livre, a orientação é a de que as pessoas mantenham uma distância de pelo menos 1,5 metro.

Uma das preocupações dos organizadores é diferenciar os atos da esquerda daqueles promovidos por apoiadores de Bolsonaro, que muitas vezes atraem pessoas sem a devida proteção para evitar o contágio, como ocorreu no Rio de Janeiro no último domingo (23).

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos