Após queixa de Carlos Bolsonaro, Banco do Brasil mantém anúncios em site acusado de fake news

Gustavo Maia e Daniel Gullino
O vereador Carlos Bolsonaro na Câmara de Vereadores do Rio

BRASÍLIA — Depois de suspender seus anúncios em um site acusado de compartilhar notícias falsas, na quarta-feira, o Banco do Brasil (BB) informou nesta sexta que voltou atrás da decisão e desbloqueou a página no mesmo dia.

O anúncio inicial da suspensão ocorreu em resposta a uma campanha promovida por um movimento recém-criado com o objetivo de impedir a publicidade em sites considerados por eles "racistas ou de fake news".Outras empresas também já anunciaram mudanças em suas políticas após a iniciativa do Sleeping Giants Brasil, um perfil no Twitter criado na última segunda, inspirado em uma página de mesmo nome que existe desde 2016 nos Estados Unidos.

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"Visamos impedir que sites preconceituosos ou de Fake News monetizem através da publicidade. Muitas empresas não sabem que isso acontece, é hora de informá-las", diz a descrição do perfil.Na terça-feira, a página cobrou o Banco do Brasil por anunciar no "Jornal da Cidade Online", dizendo que ele é "um site conhecido por espalhar Fake News".

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O site "Aos Fatos", especializado em desmentir notícias falsas, já classificou o "Cidade Online" como "rede articulada de desinformação".Empresas como a Telecine, a Dell e o Canal History também afirmaram que deixariam de anunciar no "Jornal da Cidade Online" após a campanha do Sleeping Giants.Na quarta, o Banco do Brasil respondeu à publicação no Twitter dizendo que "os anúncios de comunicação automática foram retirados e o referido site bloqueado".

O banco acrescentou repudiar "qualquer disseminação de Fake News". Até o momento, a instituição não se manifestou.Filho do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) saiu em defesa do "Jornal da Cidade Online", afirmando que o Banco do Brasil "pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas".

Após a publicação do Sleeping Giants, e antes do anúncio do Banco do Brasil, o "Jornal da Cidade Online" publicou um texto se dizendo vítima de um ataque "obviamente orquestrado". O veículo também disse fazer parte de uma "tradição jornalística de mais de 40 anos, 13 deles em versão online" e afirmou atuar em "conformidade com todas as plataformas de anúncios e redes sociais das quais participa". O veículo também divulgou uma página chamada "Antiboicote", destinado a boicotar as empresas que deixarem de anunciar nas páginas criticadas pelo Sleeping Giants.

Recentemente, a Justiça do Rio de Janeiro condenou os donos do site a indenizarem o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, por danos morais. Na decisão, a juíza Sylvia Therezinha Hausen de Area Leão afirmou que "algumas delas (publicações) possuem caráter indubitavelmente ofensivo e injurioso, principalmente as que afirmam que o autor é de baixíssimo nível, que sua administração causou a falência da OAB e que o autor é um escroque".

Já o chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, Fabio Wajngarten, criticou o Sleeping Giants, dizendo que o perfil "precisa urgentemente deixar o viés ideológico de lado na hora de fazer suas supostas denúncias".

Depois, cobrado por uma pessoa que citou o caso, Wajngarten afirmou estar "contornando a situação", sem entrar em detalhes.Depois, questionado por uma jornalista sobre a que estava se referindo, Wajngarten afirmou, também no Twitter, que "não adianta fazer ilações vazias" e que ele sempre defendeu o que chamou de "mídia técnica".

Procurada para explicar as declarações do secretário, a Secom se limitou a responder que não vai comentar.

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