Após rali, coronavírus entra na balança de traders de algodão

Marvin G. Perez
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Após rali, coronavírus entra na balança de traders de algodão

(Bloomberg) -- Como outras culturas, o algodão está no limbo. Depois de atingirem os menores níveis em três anos, as cotações haviam se recuperado com sinais de colheitas menores e acordos comerciais que amenizaram as preocupações com a demanda. No entanto, traders de algodão agora estão em busca das próximas pistas.

As apostas de alta podem vir de evidências de que a China está cumprindo o acordo de primeira fase assinado com os Estados Unidos, com o aumento das compras de produtos agrícolas norte-americanos. Como as tarifas ainda estão em vigor, alguns operadores também podem ser incentivados por notícias de como essas compras aconteceriam, como por meio de isenções.

Por outro lado, a contínua ausência da China no mercado de algodão dos EUA poderia fazer com que os preços retornassem para 67 centavos de dólar por libra-peso, abaixo dos 70 centavos atuais, disse Keith Brown, presidente da corretora de algodão Keith Brown & Co., em Moultrie, Geórgia. E, no improvável caso de o Senado aprovar o impeachment do presidente dos EUA, Donald Trump, a primeira fase “tem uma chance significativa de desmoronar”, disse Louis Rose, do Rose Commodity Group em Nashville, Tennessee.

Para complicar a perspectiva da demanda, há o coronavírus. A propagação da doença intensifica os temores de uma maior desaceleração no setor têxtil chinês.

“Os moinhos chineses parecem mostrar interesse considerável em quedas de preço abaixo de 70 centavos e ainda maior interesse quando os preços caem abaixo de 69,5 centavos de dólar por libra”, disse O.A. Cleveland, professor de economia agrícola da Universidade Estadual do Mississippi. “No entanto, os negócios chineses de curto prazo parecem limitados.”

Além dos obstáculos nas áreas de comércio e de saúde, o algodão enfrenta maior concorrência de outras matérias-primas, como poliéster para roupas. Do lado da oferta, produtores norte-americanos enfrentam crescente concorrência de países como o Brasil, onde a alta do dólar frente ao real aumenta a competitividade. Ainda assim, a recuperação dos preços desde agosto pode levar ao aumento do plantio.

Com tantos fatores em jogo, é provável que o mercado preste muita atenção ao relatório WASDE do governo dos EUA no próximo mês. No início de janeiro, o relatório projetava demanda reduzida, mas apenas em um nível um pouco abaixo da oferta.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Marvin G. Perez em Nova York, mperez71@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: James Attwood, jattwood3@bloomberg.net, Patrick McKiernan

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