Após reforma, zoológico do Rio ganha novo nome e já tem data para reabrir

Diego Amorim
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O pequeno Raphael Alves, de 9 anos, não vê a hora de voltar a visitar o zoológico do Rio. Fechada desde novembro de 2019 para obras, a atração é um dos locais preferidos do menino e já tem data para reabrir ao público: 22 de março. Cheio de novidades, o parque traz um novo conceito para a Quinta da Boa Vista — e um novo nome também. O BioParque do Rio virou um centro de preservação da vida selvagem. E para a alegria de Raphael e de tantas outras famílias acostumadas a visitar o zoo, foi lançado um programa de sócio com acesso ilimitado ao parque e ajuda ao programa de pesquisa e conservação.

— Estamos todos com saudades de passear no zoo, não só as crianças. O parque traz memórias afetivas para muita gente. Eu, quando criança, adorava ver os animais de perto. O Raphael ama os macacos e leões, são os favoritos dele — diz o funcionário público Carlos Roberto, de 54 anos, tio de Raphael.

A reforma, que no total durou quase dois anos, visou à retirada das grades e dos confinamentos tradicionais, criando biomas com mais de sete metros de altura e vegetação natural das regiões em que os animais vieram. Quem tiver interesse em ver de perto as transformações já pode garantir o passaporte anual de sócio, que assegura ainda descontos e vantagens exclusivas, como conhecer o parque antes do público em geral, de 19 a 21 de março. O programa de sócio tem custo individual de R$ 80, podendo o titular incluir até sete dependentes a um valor adicional de R$60 e parcelar em até 12x sem juros.

Além disso, o parque terá um rigoroso protocolo de segurança sanitária em meio à pandemia de Covid-19, conforme as regras de ouro da Prefeitura do Rio e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS): higienização ambiental diversas vezes ao dia, capacidade reduzida, locais diferentes para entrada e saída, posto de triagem para aferição de temperatura corporal e higienização de mãos e calçados. O uso da máscara será obrigatório durante a visita.

— O parque irá destinar um percentual do valor do ingresso para ajudar a financiar projetos e bolsas de estudos sob o tripé da educação, pesquisa e conservação. Imagina poder acompanhar, em primeira mão, o nascimento de um filhote de uma ave silvestre? Cada animal que ali está faz parte de um plano de população associado a pesquisas para a conservação da espécie. A ideia é que as pessoas saiam do passeio mais conscientes sobre a importância dos ecossistemas e sabendo que pequenas atitudes podem ajudar muito a natureza — explica o diretor do BioParque do Rio, Manoel Browne.

Entre as novas áreas do BioParque Rio estão, por exemplo, a Vila dos Répteis, com jacarés, cágados e serpentes; o setor Reis da Selva, com leões, onças e tigres; a Ilha dos primatas, com animais que pertencem à Amazônia, maior floresta tropical do mundo; a Fazendinha, onde todos poderão conhecer e interagir com bichinhos reais de uma fazenda, como galinhas, vacas e coelhos, todos juntos participando de um importante programa de educação ambiental; a Savana Africana, que permite ao visitante ver zebras, girafas e hipopótamos a poucos metros de distância; um ambiente imersivo onde será possível conhecer e entender a importância de pequenos seres polinizadores, como insetos, répteis e anfíbios; e uma área que imita o cerrado brasileiro.

— O primeiro local a receber animais foi o "Imersão Tropical", um grande viveiro com mais de 40 espécies, em sua maioria aves e alguns mamíferos, como cutias, ouriços-terrestres e uma preguiça. O espaço também é habitado por araras-azuis-grandes, araras-canindés, araras-vermelhas, papagaios, guarás-vermelhos, seriemas e mutuns-do-sudeste. O grande diferencial é a sensação de estar dentro de uma floresta tropical — conta Browne.

De acordo com a direção do parque, os dois anos de reformas foram bastante desafiadores, com obras de drenagem, pavimentação, construção civil, cenografia e ambientação. Também foi feita a recuperação dos prédios históricos, com a chancela e parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Achados arqueológicos dessas escavações integrarão o acervo do Museu Nacional, depois de recuperado, e poderão ser visitados no próprio circuito do BioParque. A ideia é aproximar o público da história do Brasil e conectar as pessoas com a própria história da Quinta da Boa Vista.

O novo conceito é administrado pelo Grupo Cataratas, que também opera o AquaRio e Paineiras Corcovado. Sem mais o caráter expositivo, o BioParque torna-se um centro de conservação da biodiversidade com programas de educação e pesquisa e parcerias com instituições de pesquisa e universidades.

— Quero aproveitar para convidar todos a verem essa transformação de perto! O Rio de Janeiro está recebendo de volta um de seus principais locais de lazer. O principal objetivo é oferecer qualidade de vida aos animais que vivem no parque e realizar pesquisas com espécies ameaçadas. Queremos convidar o carioca e o visitante para este passeio, torcendo para que o público saia transformado e comprometido com o propósito da conservação — almeja Browne.