Após renovar mínima no ano, Bolsa sobe e dólar tem volatilidade com possibilidade de fatiamento da PEC dos precatórios

·4 min de leitura

RIO — A Bolsa apresenta uma recuperação enquanto o dólar opera próximo à estabilidade ante o real nesta sexta-feira. Após o Ibovespa renovar o patamar mínimo do ano pelo segundo pregão consecutivo na véspera, os investidores repercutem a possibilidade de fatiamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios para facilitar sua aprovação no Senado.

Por volta de 14h10, o principal índice da B3 subia 1,18%, aos 103.629 pontos. No mesmo horário, a moeda americana tinha alta de 0,12%, negociada a R$ 5,5755, após ja ter operado com baixas.

No caso da Bolsa, o dia é marcado pelo vencimento de opções de ações, o que pode trazer certa volatilidade.

O mercado de juros futuros também reagia positivamente com a possibilidade de a PEC tramitar de forma mais rápida.

Por volta de 13h20, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passava de 8,60% no ajuste anterior para 8,57% e a do DI para janeiro de 2023 caia de 12,18% para 11,97%.

Já a do DI para janeiro de 2025 cedia de 12,10% para 11,82% e a do DI para janeiro de 2027 caía para 11,73% ante os 11,96% da leitura anterior.

Recuperação momentânea

Na quinta-feira, o governo sinalizou que aceita algumas mudanças no conteúdo da proposta para facilitar a aprovação.

Caso o plano atual permaneça, os senadores fariam um fatiamento da PEC. O texto aprovado pelos deputados seria votado pelos senadores até o dia 30 de novembro.

E as alterações propostas, por sua vez, seriam agrupadas em uma PEC “paralela”. O objetivo é acelerar a aprovação do texto a fim de custear o Auxílio Brasil o quanto antes.

Para o economista chefe da Western Asset, Adauto Lima, o alívio visto no Ibovespa e nas taxas de juros reflete a possibilidade da PEC ser aprovada com maior rapidez.

Ele ressalta, no entanto, que o movimento do pregão não significa uma mudança de tendência, já que as indefinições sobre a aprovação da proposta no Senado permanecem.

— Apesar da PEC ser muito ruim, pois quebra uma regra fiscal, a alternativa é muito pior. Essa separação dá alguma celeridade e parece que ajuda a obter mais votos para passar a proposta. Mas não dá para cravar de antemão que vai ser dessa forma.

Entre as mudanças, estão a instituição do Auxílio Brasil como um programa permanente, a proibição de que a margem fiscal aberta pelo texto seja usada para reajustar salários de servidores públicos federais, a possibilidade de criação de um grupo para fiscalizar os pagamentos de precatórios, sem falar em uma previsibilidade maior para o pagamento dessas despesas nos estados.

Para Lima, a sinalização de que o reajuste de servidores não deve ser contemplado com o espaço aberto no teto de gastos também é positiva aos olhos do mercado.

— A princípio parece que no Senado há uma resistência grande (ao reajuste). Isso, se continuar, é positivo, pois mesmo que apareça mais espaço no teto por causa da inflação maior, não vai virar um aumento permanente de gastos, que seria o reajuste do funcionalismo.

A aprovação da PEC é fundamental para o governo pois abre espaço no Orçamento de 2022 para o pagamento do Auxílio Brasil, além de revisar as regras do teto de gastos.

Pelo lado do mercado, o que interessa saber é quando haverá uma definição sobre o tema para que, assim, se possa calcular o tamanho do prejuízo aos cofres públicos com as mudanças no teto.

Vale e siderúgicas sobem

Entre as ações, as ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) cediam 1,74% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 2,15%, acompanhando a queda do preço do petróleo negociado no exterior.

Em dia positivo para o minério de ferro negociado na China, as ordinárias da Vale (VALE3) subiam 2,55% e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3), 6,51%.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) tinham alta de 2,40%

No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) cediam 0,85% e as do Bradesco (BBDC4) subiam 0,15%.

Na ponta positiva, havia espaço para empresas se recuperarem de fortes baixas recentes. O destaque ia para as ações ordinárias do Magazine Luíza (MGLU3), com avanço de 9,39%.

Bolsas no exterior

As bolsas americanas operavam com sinais contrários. Por volta de 14h10, no horário de Brasília, o índice Dow Jones cedia 0,51% e o S&P subia 0,07%. A Bolsa de Nasdaq avançava 0,68%.

Na Europa, as bolsas fecharam com baixas. A Bolsa de Londres caiu 0,45% e a de Frankfurt, 0,38%. Em Paris, ocorreu queda 0,42%.

No continente, o destaque vai para declarações da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, sinalizando que o banco não tem pressa em retirar os estímulos à economia e de que a inflação da zona do euro deve perder força.

Por lá, ainda repercute a decisão do governo austríaco de anunciar uma quarentena nacional e obrigatoriedade da vacinação para conter uma nova onda de casos de coronavírus.

As bolsas asiáticas fecharam com direções contrárias. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, subiu 0,50%. Na China, houve avanço de 1,13%.

Em Hong Kong, a queda foi de 1,07%. O destaque negativo foram as ações do grupo Alibaba, que caíram 10,71% após a divulgação de balanço que não agradou aos investidores.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos