Após reportagem de Dráuzio Varella, gaúcha cria vaquinha para trans Susy: ‘Corrente de amor’

Carol Marques
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vakinha

Após reportagem de Dráuzio Varella, gaúcha cria vaquinha para trans Susy: ‘Corrente de amor’

Uma corrente de amor. Esta foi a primeira ideia da advogada Camila Ribeiro ao assistir à reportagem feita pelo médico Dráuzio Varella no “Fantástico” retratando a dura realidade de detentas transexuais nos presídios paulistas, que na maioria das vezes, são abandonadas pelos companheiros e parentes. Em especial, a história de Susy Oliveira Santos, de 30 anos, chamou a atenção da gaúcha. “Foi um tapa na minha cara. Como eu, advogada, formada por uma faculdade elitista através de bolsa do Prouni poderia ajudá-la?”, conta ela, que mora em Porto Alegre.

Camila criou uma vaquinha online na madrugada de segunda-feira com o objetivo de arrecadar dinheiro e comprar ítens para as trans presas mostradas na reportagem além das demais que vivem no cárcere. “Eu nem pensei muito. Coloquei um calor inicial de R$ 2 mil e logo começaram as contribuições”, surpreende-se.

Os R$2 mil foram ultrapassados em três dias e o teto foi afixado novamente em R$3.500, 00. “A última vez que olhei já estava em R$2,4 mil. Se for além do que estipulei será muito bem-vindo”, avalia.

Camila não sabe ainda o que poderá levar para a penitenciária, mas deseja ainda que as doações possam gerar algum tipo de renda para as presas. “Existem regras dentro dos presídios, como cor de sabonete, por exemplo, tipo de creme dental... Mas seria legal também levar coisas que possam dar à elas uma forma de fazer um dinheirinho. Tipo uma chapinha de cabelo para uma que pode cobrar e fazer nas colegas. Não é só doar. Mas instrumentalizar”, explica.

A advogada quer ainda ver o processo de Susy para ajudá-la a diminuir sua pena. “Como profissional, tenho o privilégio de entrar no presídio sem a buroicracia de um visitante comum. E quero ler o processo dela. Isso, claro, se ela quiser. O mais importante é a Susy e outras presas saberem que são queridas e podem ser ajudadas aqui fora”, justifica Camila, que pretende viajar até São Paulo no fim do mês levando na mala o que arrecadar: “E sem dúvida dar um abraço em cada uma delas. Independentemente da pena que tiveram e do crime que cometeram, elas estão pagando por seus erros. E quando transexuais, estas mulheres já são triplamente condenadas pela sociedade, que muitas vezes não evita que elas recorram a atos ilícitos para sobreviverem”.