Após repressão, Arábia Saudita liberta supostos dissidentes

Anuj CHOPRA
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A ativista saudita Loujain al-Hathloul, em foto sem data publicada em 6 de agosto de 2019 no Facebook

Centenas de supostos dissidentes estão presos na Arábia Saudita, incluindo religiosos e ativistas de direitos humanos, mas alguns foram libertados, como a militante Loujain al Hathloul, sob pressão dos Estados Unidos após a chegada de Joe Biden à presidência.

No âmbito de uma grande campanha de repressão organizada pelo príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, foram detidos professores universitários, religiosos, jornalistas e membros da família real saudita, entre outros.

Na quarta-feira, Loujain al Hathloul foi libertada, juntando-se à lista de sauditas liberados ou que poderão ser soltos brevemente.

- Walid Fitaihi

Fundador de um hospital de prestígio da cidade de Jidá, às margens do Mar Vermelho, e conhecido orador, a quem seus simpatizantes apelidaram de "Deepak Chopra do Oriente Médio", foi libertado em meados de 2019 depois de quase dois anos de detenção.

Mas em uma reviravolta judicial inesperada, em dezembro passado, o médico formado em Harvard foi condenado a seis anos de prisão por ter obtido a cidadania americana sem autorização oficial e por expressar seu apoio, no Twitter, às revoltas da Primavera Árabe de 2011.

No entanto, Fitaihi (56 anos) não precisou cumprir pena de prisão após recurso, segundo um parente.

No mês passado, um tribunal de apelações manteve sua condenação, mas reduziu sua sentença pela metade e suspendeu parte do restante da pena, disse a fonte.

Mesmo assim, Fitaihi e vários de seus parentes continuam proibidos de viajar, por isso não podem deixar o país.

- Salah al-Haider

Filho da ativista dos direitos das mulheres Aziza al-Yousef, Al-Haider foi preso em abril de 2019 e acusado de crimes relacionados ao terrorismo.

O homem preso, que tem dupla nacionalidade americana e saudita, foi detido horas depois que sua mãe foi libertada provisoriamente.

A prisão desta última coincidiu com a de Loujain al Hathloul e outras ativistas, pouco antes da Arábia Saudita suspender a proibição e permitir que as mulheres dirigissem, em junho de 2018.

Al-Haider foi libertado na semana passada enquanto aguarda julgamento, e sua próxima audiência está marcada para 8 de março, de acordo com a Freedom Initiative, com sede em Washington.

- Bader al-Ibrahim

Escritor e médico, Bader al-Ibrahim foi preso em abril de 2019 e acusado de crimes relacionados ao terrorismo.

Foi colocado em liberdade provisória na semana passada e sua próxima audiência também está marcada para 8 de março, de acordo com a Freedom Initiative.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que estava "monitorando de perto" os casos de Al-Ibrahim e Al-Haider.

- Ali al-Nimr, Dawoud al-Marhoon e Abdullah al-Zaher

Membros da comunidade xiita (minoritária), esses três sauditas foram presos em 2012, quando ainda eram menores, após participarem de protestos contra o governo no âmbito da Primavera Árabe.

Eles foram condenados à morte por "terrorismo", mas tiveram suas sentenças comutadas para 10 anos de prisão, anunciou a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do país no domingo.

A pena de prisão inclui o período que os detidos já cumpriram, para que no próximo ano sejam libertados, segundo a Comissão, um órgão oficial.

Em abril passado, a CDH declarou que o país deixaria de aplicar a pena de morte a pessoas condenadas por crimes cometidos quando menores de 18 anos.

Essa reforma, em um país com uma das maiores taxas de execução do mundo, foi amplamente aplaudida por ativistas.

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