Após reunião com Bolsonaro, Regina Duarte ganha sobrevida à frente da Cultura

RIO - A atriz Regina Duarte seguirá, pelo menos por enquanto, à frente da Secretaria Especial de Cultura. Ela almoçou e participou de uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira, em Brasília, e, segundo fontes próximas, o encontro foi "ótimo" e teve um desfecho positivo. O encontro contou ainda com a presença do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, a quem a Secretaria está subordinada.

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que participou do almoço, chegou a dizer na saída que Regina "apresentou seus planos, projetos, fez um pequeno discurso, em seguida fomos para o almoço". Camargo, que já teve rusgas públicas com Regina no passado, afirmou que teve uma "almoço amigável" com a secretária.

— Ela (Regina) apresentou seus planos, projetos, fez um pequeno discurso e em seguida foi para o almoço. Hoje tivemos uma boa conversa. Somos do mesmo órgão, estamos sempre alinhados Hoje não houve divergência. Foi um almoço muito agradável — disse Camargo.

O presidente da Fundação Palmares conversou com repórteres tanto antes quanto depois do almoço. Já Regina Duarte se esquivou da imprensa, usando a garagem. A reportagem tentou contato com sua assessoria e com a Secretaria de Cultura, mas não obteve resposta.

Encontro decisivo

O encontro entre Regina Duarte e Jair Bolsonaro, nesta quarta, era considerado decisivo para a permanência da atriz na Secretaria, uma vez que os acontecimentos da véspera transformaram em incógnita a sua autoridade. Há dois meses no comando da pasta, a atriz amanheceu com a notícia de que Dante Mantovani — presidente da Funarte na gestão de seu antecessor Roberto Alvim —, que foi demitido por ela, havia sido reconduzido ao cargo. À sua revelia.

Reclusa em São Paulo desde que começou a recomendação de isolamento social por conta da epidemia de coronavírus, Regina demonstrou surpresa a aliados quando soube da publicação no Diário Oficial, assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto.

No fim da tarde, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro reconsiderou a decisão e tornou sem efeito a nomeação — na hora em que Mantovani falava com o GLOBO ao telefone, sem saber da novidade. Uma pequena vitória da atriz em um mar de frustrações. Ela viajou a Brasília e conversará com Bolsonaro hoje para definir seu destino.

No Palácio do Planalto, Regina é vista por alguns como “a fritura da vez”. A própria atriz disse a uma interlocutora que achava que estava sendo dispensada, em áudio obtido ontem pelo site “Crusoé”, e ouve que Edir Macedo já teria indicado seu substituto. Procurado pelo “Jornal Nacional”, o bispo disse que não era verdade.

O presidente andaria incomodado com algumas nomeações que ela pretendia fazer de pessoas associadas à esquerda pelos militantes bolsonaristas. Aliados dele disseram ao GLOBO, entretanto, que Bolsonaro não estaria disposto a arcar com o desgaste da demissão da atriz neste momento, após as saídas de dois ministros populares de seu governo (Sergio Moro, da Justiça, e Luiz Henrique Mandetta, da Saúde).