Após reunião com especialistas, Saúde decide reconhecer quarto caso de coronavírus no Brasil

André de Souza
Turistas e brasileiros chegam ao aeroporto do Rio

O secretário de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, informou que há quatro casos confirmados do novo coronavírus no Brasil. Mais cedo, porém, a pasta havia informado que eram apenas três confirmados. O quarto teste, que também deu positivo, não estava sendo contabilizado porque a paciente não apresentou sintomas de Covid-19, como febre e problemas respiratórios.

A quarta confirmação é a de uma menina de 13 anos que viajou à Itália. Depois da divulgação da nota do Ministério da Saúde, houve uma reunião de representantes da pasta e especialistas em saúde pública em um hotel de Brasília. Lá ficou definido que a contabilidade seria de quatro casos confirmados.

Foram considerados quatro critérios para contabilizar o caso sem sintomas como confirmado: resultado positivo do teste; local provável de infecção, ou seja, passagem pela Itália, um dos países mais afetados pela epidemia; possibilidade de os sintomas terem sido mascarados, uma vez que ela foi medicada em um hospital italiano em razão de uma lesão sem relação com o novo coronavírus; e possibilidade de ainda desenvolver os sintomas.

A Itália, para onde a jovem viajou, é o maior epicentro da Covid-19 na Europa. Até o momento, foram registrados 3.089 casos e 107 mortes.

Inicialmente, a equipe da SVS havia deixado o caso fora da tabela de casos confirmados. Segundo Wanderson, foi uma falha da equipe dele, já corrigida. O secretário destacou que a menina de 13 anos teve um acidente na Itália e precisou ir ao hospital para tratar uma lesão.

— Não temos certeza se ela realmente não teve sinais e sintomas (na Itália), porque podia estar tomando um anti-inflamatório ou qualquer medicamento para abaixar a febre. Será que ela não teve febre? Não dá para saber — disse Wanderson de Oliveira.

A estudante chegou a Portugal em 21 de fevereiro e, no dia seguinte, passou por Milão, na Itália, onde pegou um trem para as Dolomitas, região dos Alpes italianos. A área norte do país, onde a menina ficou, concentra o maior número de casos de coronavírus da Itália.

Durante a viagem, ela foi internada no hospital Dolomiti Sportclinic para realizar uma cirurgia de reparação de uma lesão de ligamento sofrida enquanto viajava. A adolescente retornou ao Brasil no último domingo, 1º de março.

Wanderson de Oliveira destacou ainda que é comum os mais jovens não terem sintomas quando contraem vírus.

— Vinte e cinco por cento das crianças e dos adolescentes até 17 anos não apresentam sintomas, então isso já é esperado. Na China (isso) aconteceu, há vários artigos publicados (sobre o tema), então isso já é esperado. A dúvida que paira é: ela não desenvolveu porque estava tomando anti-inflamatório e antipirético, ou seja, para baixar a febre, ou ela está no período de incubação e vai desenvolver (sintomas) ao longo do tempo? — indagou Wanderson.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, participou do começo do encontro com especialistas, mas já deixou o local. O secretário Wanderson de Oliveira continuará na reunião. Os especialistas — representando várias entidades da sociedade civil e órgãos públicos diferentes — vão se dividir em grupos e discutir vários pontos apresentados pelo Ministério da Saúde. À tarde, será feita uma síntese.

Algumas questões podem exigir mais tempo. O resultado ajudará a embasar as ações do Ministério da Saúde. Entre outras coisas, os especialistas discutirão os procedimentos a serem adotados em quarentena e isolamento domiciliar de pacientes com o vírus. As sugestões constarão em instruções normativas do ministério.