Após reunião com presidente da Huawei Brasil, Bolsonaro nega ter tratado sobre leilão 5G

Jussara Soares e Eliane Oliveira
O presidente Jair Bolsonaro se reúne com YaoWei, CEO da Huawei do Brasil

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro negou, nesta segunda-feira, que o leilão nacional para a exploração da faixa de frequência 5G tenha sido tema de conversa durante o encontro com o CEO da Huawei Brasil, Wei Yao. Na reunião ocorrida pela manhã no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou apenas ter ouvido a apresentação da empresa chinesa que tem interesse de operar em participar da construção da rede da quinta geração de internet móvel, o 5G.

Viu isso?Huawei lança celular dobrável sem Google ou componente americano

— Ele apenas mostrou que quer o 5G no Brasil. Não mostrou a proposta, ele mostrou apenas como está a empresa dele no Brasil — disse o presidente.

Uma das maiores empresas de telecomunicações do mundo, a Huawei já sinalizou que está interessada no certame. Ela teria de ser contratada como fornecedora de tecnologia 5G por uma das operadoras de que vão disputar o leilão.

— Leilão eu não na ouvi na reunião, se falou eu estava desatento — respondeu o presidente, quando questionado sobre a concorrência.

Em outro momento, Bolsonaro afirmou que a decisão do leilão será decidida pelas melhores ofertas e conectividade.

— Estou sabendo que tem uma firma sul-coreana também está em condições de operar 5G. A melhor oferta, né? A gente vai levar para o lado do quê? Oferta e conectividade. É isso aí — disse.

O governo brasileiro tem mantido cautela ao falar sobre a fabricante chinesa. Isto porque a Huawei é acusada de espionagem, a mando de Pequim, pelos Estados Unidos. Os americanos, por sua vez, são considerados prioridade máxima na política externa de Bolsonaro.

A audiência dos dirigentes da Huawei com o presidente Bolsonaro e parte de sua equipe, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ocorreu poucos dias depois da reunião de cúpula dos líderes do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A conversa foi acertada durante um encontro bilateral entre Bolsonaro e o presidente chinês Xi Jinping, na última quarta-feira.