Após reunião com TSE, representantes do Telegram se encontram com Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta terça-feira com o vice-presidente do Telegram, Ilya Perekopsky, e o advogado da empresa no Brasil, Alan Campos Elias Thomaz, no Palácio do Planalto. O encontro, que não estava previsto na agenda do presidente, ocorreu um dia após os representantes do aplicativo de mensagens se reunirem com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Edson Fachin.

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"Hoje, dia da Liberdade de Imprensa, tive excelente reunião com o vice-presidente mundial do Telegram, o Sr. Ilya Perekopsky, e o representante legal no Brasil, o sr. Alan Thomaz. Ótima conversa sobre a sagrada liberdade de expressão, democracia e cumprimento da Constituição", postou Bolsonaro em suas redes sociais. O ministro das Comunicações, Fabio Faria, também participou da reunião no Planalto.

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No encontro de ontem, o TSE disse ter solicitado aos representantes da empresa que o aplicativo adote algumas medidas para ajudar no combate às "fake news", como a possibilidade de rastrear os responsáveis pela publicação de conteúdo enganoso. Segundo texto publicado na página da Corte na internet, Perekopsky respondeu que algumas sugestões podem ser analisadas para serem implantadas no futuro, enquanto outras não poderiam ser atendidas, mas o TSE não especificou quais.

O Telegram, aplicativo de origem russa com sede em Dubai, se tornou alvo da Justiça brasileira após não responder a diversas tentativas de contatos por parte do TSE e ignorar decisões judiciais. A empresa mudou de postura em março deste ano, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o seu bloqueio no Brasil. Em maio, o aplicativo fechou uma parceria com a Corte eleitora para o combate à desinformação e se comprometeu a monitorar os cem canais mais populares no país para evitar a propagação de fake news.

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Uma análise feita pelo GLOBO, contudo, mostrou que, mais de um mês depois do acordo, parte dessas contas que estão entre as mais acessadas no país continuavam a abrigar postagens com desinformações relacionadas às eleições, à vacina contra a Covid-19 e ao uso de máscara.

Telegram x WhatsApp

O aplicativo de origem russa cresceu no Brasil catapultado por restrições impostas por outras redes sociais mais populares. No WhatsApp, por exemplo, grupos têm limite de 256 membros, enquanto o Telegram abriga grupos para até 200 mil pessoas e canais com capacidade ilimitada de inscritos, tornando-se um terreno fértil para a desinformação.

Com postagens marcadas como suspeitas e até excluídas de outras redes, Bolsonaro passou a incentivar seus apoiadores a aderirem ao Telegram. No Brasil, de acordo com o Telemetrio, o canal do presidente lidera o ranking, com 1,3 milhão. No levantamento, também aparecem os perfis dos filhos dele, Carlos Bolsonaro (102 mil), Eduardo Bolsonaro (65 mil) e Flávio Bolsonaro (115 mil), além de Carla Zambelli (145 mil) e do ex-presidente Lula (64 mil).

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