Após revés no DEM, Maia diz que pode abrir impeachment contra Bolsonaro

Bruno Góes e Manoel Ventura
·1 minuto de leitura

BRASÍLIA - Ao ser informado que o seu partido, o DEM, deixaria o bloco de Baleia Rossi (MDB-SP) na disputa pelo comando da Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (RJ), disse neste domingo que poderia abrir um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Maia deixa o cargo nesta segunda-feira e tem 64 pedidos de afastamento a espera de deliberação.

A informação foi publicada na noite deste domingo pelo G1 e confirmada ao GLOBO por parlamentares que presenciaram o diálogo.

Maia foi informado pelo presidente do DEM, ACM Neto, que havia apoio suficiente para o partido apoiar o adversário de Rossi, Arthur Lira (PP-AL). Mais tarde, na sede do partido, a Executiva do DEM ratificou a decisão de abandonar o emedebista.

O DEM, no entanto, ficará independente, sem apoiar qualquer candidato oficialmente.

Segundo um deputado que estava na reunião, em um momento tenso, Maia disse que não aceitaria a interferência do governo no próprio partido. Ele chegou a dizer que não teria outra opção, a não ser abrir um dos 60 processos de impeachment que estão em sua mesa contra Bolsonaro.

Deputados de oposição também reagiram e incentivaram, segundo um dos relatos, que Maia abrisse logo todos os processos de impeachment, "para dar mais trabalho ao governo".

Oposicionistas também prometeram retaliar a candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no Senado. Na reunião, o PT cogitou retirar seu apoio.

Deputados do DEM que estavam na reunião disseram ao GLOBO que não acreditam que Maia abrirá o processo. Um deles diz que Maia "perderia qualquer credibilidade" ao dar prosseguimento em circunstância como essa.