Após rombo, alunos da USP querem usar posts e memes para garantir formatura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após o rombo de quase R$ 1 milhão na conta da comissão de formatura dos alunos de medicina da USP, estudantes agora se mobilizam para elaborar estratégias de marketing a fim de recuperar o dinheiro perdido -a aluna Alicia Dudy Müller Veiga, 25, responsável por desviar a quantidade, foi indiciada por apropriação indébita.

Ao todo, a comissão calcula que 110 alunos tenham sido prejudicados. Nesta terça-feira (16), o grupo informou, por meio do grupo de WhatsApp, que diante da grande repercussão do caso vai tentar usar a visibilidade para levantar recursos para a realização da festa "de forma divertida".

Na mensagem, a comissão diz que pensa em promover posts no Instagram para chamar a atenção de artistas, empresas e comunicadores por meio de memes.

"Queremos deixar claro que tais medidas não diminuem a seriedade que este assunto merece", explicam os jovens, que reiteram que o objetivo não é "ridicularizar o ocorrido", mas usar o humor para encontrar soluções.

Ao fim da mensagem, eles ainda afirmam que a ideia está aberta a opiniões e pedem aos estudantes: "engajem com a gente!"

Por meio do Instagram, a comissão de formatura agradece as mensagens de apoio e solidariedade e diz que está pensando em saídas para viabilizar a festa, que estava marcada para janeiro de 2024. Por fim, o grupo informa que vai usar as redes sociais para buscar parcerias que possam auxiliar a tirar "esse sonho do papel".

Procurada, a comissão explica que não possui vínculo nem patrocínio com nenhuma empresa e que estuda engajar as redes sociais para tentar alguma parceria futura ou auxílio para a realização da festa. A ideia de usar o alívio cômico, reiteram, é para rever "essa situação catastrófica em uma possível saída para realizarmos nosso sonho".

Além das estratégias para que a festa ainda aconteça, a comissão ainda elaborou um formulário, nesta quinta-feira, para que os alunos compartilhem suas vivências diante dos recentes acontecimentos.

A ideia é que alunos contem como o desvio da verba impactou suas famílias, quais eram os sonhos de cada um e como os alunos se veem daqui a um ano. "Sinta-se à vontade para expor o que tem sentido pois só iremos divulgar o que for dito aqui com expressa autorização", diz a mensagem.

ENTENDA O CASO

Alicia confessou ter desviado quase R$ 1 milhão, que eram referentes da festa de formatura que sua sala se organizava para realizar em janeiro de 2024. Os valores pagos por cada aluno que aderiu à formatura variavam entre R$ 6.000 e R$ 12 mil.

Nesta quinta-feira, ela foi indiciava sob suspeita de apropriação indébita do fundo de formatura de sua turma na Faculdade de Medicina. Este crime é investigado pelo 16º Distrito Policial, localizado no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

Os estudantes descobriram fraude no último dia 6 de janeiro, quando a própria suspeita relatou o caso em um grupo de WhatsApp. Aos colegas ela disse que teria investido o dinheiro do fundo em uma corretora e sofreu um golpe.

Em depoimento, ela confessou que, na verdade, realizou aplicações erradas. Assim, informa que, quando viu que as aplicações já haviam dado um prejuízo de R$ 50 mil, passou a jogar na loteria para recuperar o dinheiro.

Além de apropriação indébita, crime cuja pena máxima é de quatro anos de reclusão, ela também é investigada por estelionato e lavagem de dinheiro pela polícia de São Bernardo do Campo (Grande SP). Esta investigação teve início após ela tentar apostar, sem pagar, um total de R$ 891 mil em bilhetes da Lotofácil.

Advogado a frente do caso de Veiga, Sergio Ricardo Stocco esteve no 16ª DP com a estudante, nesta quinta, mas preferiu não dar declaração para a imprensa.