Após se aliar a Lula, Meirelles diz que 'reforma administrativa rigorosa' e 'fechar estatais' são a solução para dilema do teto

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Ex-presidente do Banco Central (BC) durante oito anos dos governos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Henrique Meirelles defendeu nesta segunda-feira, em entrevista ao GLOBO, uma "reforma administrativa rigorosa" para superar os impasses políticos que envolvem o teto de gastos. Instituída durante o governo Michel Temer, ocasião em que Meirelles ocupou o Ministério da Fazenda, a regra impede a realização de gastos pelo governo acima da inflação e é duramente criticada por Lula. O petista afirmou mais de uma vez que irá revogar a âncora fiscal.

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Mais cedo, em São Paulo, o ex-ministro declarou apoio a Lula em um ato com ex-candidatos à Presidência. Perguntado sobre a proposta do petista para acabar com o teto, Meirelles disse que é "compreensível", num primeiro momento, desconsiderar a regra para manter políticas sociais como o auxílio de R$ 600.

— Acho compreensível (a proposta de Lula), porque não há dúvida de que o Brasil precisa manter os investimentos sociais e eventualmente até aumentar. Não há como cortar esse auxílio, etc., no início do próximo ano. A situação social é muito grave no país. Nós temos de fato que criar espaço para investimento em infraestrutura. E a própria situação fiscal do Brasil, do jeito que está hoje, levaria a uma situação de impasse enorme com o teto por conta de uma série de políticas equivocadas que foram feitas nos últimos anos.

Ele ressaltou, porém, a fórmula que poderia ser aproveitada para buscar o equilíbrio fiscal.

— Agora, tenho a segurança de que há uma solução para isso e já testamos aqui no Estado de São Paulo. Fui secretário da Fazenda, Planejamento, por mais de três anos. E testamos essa alternativa, que é fazer uma reforma administrativa rigorosa, fechando estatais que já perderam finalidade, cortando benefícios indevidos, fazendo uma reforma fiscal bem feita, cortando também benefícios tributários dados há muitos anos, que já perderam a finalidade. Está nos jornais esses dias o total de benefícios tributários: R$ 400 bilhões por ano. Uma barbaridade. Existe espaço muito grande para se fazer um ajuste muito grande. O governo Lula, eleito, tem condições de fazer isso, com liderança, força e credibilidade.

Meirelles diz que, a partir dessas reformas, haverá espaço "dentro do teto" para aumentar a arrecadação e alavancar investimentos em infraestrutura.

— E, ao mesmo tempo, respeitando o teto, o país voltar a ter credibilidade, cair taxa de juros, cair a inflação, cair o dólar, ter investimento, ter emprego e o país crescer. Porque não há dúvida, na minha opinião, que a melhor política social é o emprego.

O anúncio do apoio de Meirelles a Lula animou o mercado, mexeu com a curva de juros futuros e repercutiu entre presidentes de banco e agentes de mercado no Brasil e no exterior.

— O efeito foi impressionante, até eu fiquei surpreso. Foi extremamente forte e positiva, eles veem isso como sinal de responsabilidade fiscal e de possibilidade de repetir o primeiro mandato do Lula principalmente. E mais importante do que isso, é uma visão de que o meu endosso é muito importante no sentido de confiabilidade. Eles confiarem no meu julgamento.

O convite para participar do encontro partiu do vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), que ligou para o ex-ministro na sexta-feira, 16, quando o evento ainda estava em fase de planejamento. Meirelles nega uma negociação anterior com o ex-tucano, afirma que já havia decido apoiar Lula e que foi incentivado por Alckmin a tornar a decisão pública.

— Trabalhei com ele (Lula) por oito anos, viajamos para baixo e para cima. Depois que ele saiu da (Presidência), conversamos várias vezes. Eu já tinha tomado uma decisão nessa linha (de apoio a Lula). Geraldo disse: “então vamos tornar isso público”. E eu: “tudo bem” — disse.

Na manhã desta segunda-feira, Meirelles foi recebido na recepção de Hotel Gran Mercure por Aloizio Mercadante, coordenador do plano de governo de Lula, e Gilberto Carvalho, homem de confiança do ex-presidente. Os dois velhos conhecidos de Meirelles do período que comandou o BC.

— Conheço a equipe há muito tempo — afirma o ex-ministro, que atualmente atua como conselheiro de uma corretora global de criptomoedas.

Ao GLOBO, Meirelles recordou que só foi convidado para chefiar o BC em novembro de 2002, com a vitória do petista já sacramentada. Na época, entraram num acordo que envolvia independência e autonomia do BC. Questionado se enxerga qual papel poderia ocupar em novo governo Lula, desconversou:

— Não tomo decisões por hipóteses, não perco tempo com hipóteses. A eleição é em duas semanas, vamos deixar rodar a eleição, depois a gente vê.

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