Após se reunir com prefeitos, Mandetta pede que restrições não interfiram serviços essenciais

Marcello Corrêa

BRASÍLIA - Após se reunir com prefeitos, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, criticou neste domingo medidas impostas pelas administrações municipais para conter o avanço do novo coronavírus. O Brasil já registra 1.546 casos e 25 mortes. Segundo Mandetta, as ações não podem ser rígidas a ponto de interferir na prestação de serviços essenciais. Ele acrescentou ainda que é preciso definir o que é essencial.

— Vimos muitas tomadas de decisões em âmbitos municipais que não guardam nenhuma correlação com o momento que a cidade está passando. Vimos prefeitos que falaram: vou interromper o sistema de ônibus. Aí os profissionais de saúde não conseguiram chegar. Vimos alguns lugares: interrompa, faz quarentena. Mas a fábrica que faz o ventilador não consegue que o trabalhador chegue — disse o ministro, durante entrevista coletiva à imprensa.

A fala do ministro ocorre após o presidente Jair Bolsonaro editar uma medida provisória e um decreto para regular as ações de governos regionais para enfrentar a pandemia. A MP estabelece que barreiras interestaduais e intermunicipais só podem ser determinadas por autoridades federais. Já o decreto define que tipo de serviço deve ser essencial, incluindo transportes de passageiros, na contramão de ações tomadas regionalmente.

'Ninguém aguenta permanecer parado full time'

Segundo Mandetta, o período de quarentena pode ter que ser interrompido nas próximas semanas. O ministro afirmou que será inviável manter todas as atividades do país completamente paradas durante todo o período da crise do coronavírus.

— Ninguém aguenta permanecer parado full time. Para duas (semanas), libera um pouco para as pessoas, deixa as pessoas se reorganizarem. Vamos ter que ir assim — disse o ministro.

Mandetta comentou ainda sobre as ações do governo federal para produção de cloroquina, medicamento cujos efeitos podem ajudar a lidar com a Covid-19. Ainda não há conclusão sobre a capacidade da droga de tratar da nova doença, mas o ministro disse que há pressão de parentes de pacientes em estado grave para que seja receitada a substância.

O ministro frisou, no entanto, que não é recomendado o uso do remédio sem orientação médica. Médico ortopedista, ele lembrou que há efeitos colaterais no uso do remédio que podem ser mais graves que os sintomas causados pelo novo coronavírus. A ideia do governo, disse Mandetta, é permitir que o medicamento seja utilizado apenas para pacientes internados.

— Tem efeitos colaterais intensos e não devem ficar dentro da casa para ser tomados sem a devida orientação médica. Guarda consigo efeitos colaterais que podem ser muito mais graves, muito mais danosos que uma gripe — afirmou.