Após separação do Daft Punk, músico francês compõe para balé de ópera

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Matt Sayles/Invision/AP - Matt Sayles
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O espetáculo "Mythologies", do coreógrafo Angelin Preljocaj, traz a volta inesperada do compositor Thomas Bangalter, da dupla Daft Punk, um dos maiores fenômenos mundiais da música eletrônica. O artista assina sua primeira peça para orquestra sinfônica.

O resultado foi apresentado na noite desta sexta-feira (1º) em Bordeaux, no sudoeste da França. "É incrível, o Daft Punk se separou e o que vai sair é um trabalho para orquestra sem eletrônica", comentou Preljocaj, poucas horas antes da estreia, à agência AFP. Programada no Grand-Théâtre de Bordeaux até 10 de julho, a criação coproduzida com a Ópera Nacional de Bordeaux estará em turnê com 37 apresentações a partir de setembro.

"Há vários anos, queríamos fazer algo juntos", disse o coreógrafo francês de 65 anos. "Perguntei a Thomas se ele se interessaria em escrever para uma orquestra. E ele queria mesmo, muito antes da separação do Daft Punk", contou.

A antiga dupla, formada com Guy-Manuel de Homem-Christo anunciou o fim do Daft Punk em fevereiro de 2021, após 28 anos de atuação. Os dois compuseram megassucessos como Get Lucky, One More Time e Around the world.

Desde então, os músicos mantiveram a discrição que marcou a carreira do Daft Punk. Abandonar as máquinas para compor a partitura de um balé é um processo que necessariamente "levou muito tempo", acredita o maestro Romain Dumas, que fecha a produção da obra moldada a seis mãos.

"Thomas precisava de um livreto para trabalhar, para inventar, então eu escrevi um livreto com várias mitologias e ele escreveu a música. Quando eu a recebi, ela me inspirou de novo, me levou para outro lugar. Foi como um palimpsesto", continua o coreógrafo Preljocaj.

Fácil para as máquinas, difícil para as mãos humanas

“Quando compomos eletrônica, não temos tantos dados para levar em conta, como a gestão do sopro dos instrumentistas de sopro ou a forma de tocar uma nota nas cordas”, observa o maestro.

O projeto também se revelou um desafio para os músicos que se dedicaram a “ensaios assíduos”, em ritmo quase “atlético” para traduzir a música de Thomas Bangalter – ora nervosa com as suas rupturas, ora lírica ou com acentos cinematográficos.

Na partitura, o compositor evoca influências da música barroca. "Thomas é apaixonado por Vivaldi e Bach", mas também pela "corrente do minimalismo americano", de John Cage a Steve Reich, "que iniciou todo o estilo da música cinematográfica americana atual", diz Romain Dumas. Neste conjunto, "há mais coisas eletrônicas, motivos extremamente curtos e repetidos (...) algo muito complicado para o gesto instrumental humano", revela.

Na única entrevista com o rosto descoberto, concedida à conta de Facebook da Opéra de Bordeaux, Thomas Bangalter confidenciou: "A razão pela qual aceitei este projeto – porque não gosto de fazer coisas que já foram feitas –, é que seria interessante do ponto de vista da composição".

Referências do passado e do futuro

Em "Mitologias", Preljocaj explora os mitos que atravessaram o tempo desde a Antiguidade e sua ressonância com o mundo atual em uma sucessão de pinturas, alternando tons frios ou cintilantes. "Encontramos mitologias antigas, as Amazonas, o Minotauro, mas também as mitologias evocadas por Roland Barthes como a luta livre, e depois aquelas que estamos criando sem perceber, e que talvez se tornem mitologias do século 21 como a guerra ou o Covid-19 ", explica o coreógrafo, cujo estilo combina linguagem clássica e dança contemporânea.

Em uma encenação refinada, com trajes de inspiração antiga, dez bailarinos do Ballet Preljocaj e outros do Balé da Ópera Nacional de Bordeaux coroam quatro anos de colaboração entre as duas casas.

Com esta criação, Preljocaj, conhecido pelos seus balés "Le Parc" e "Blanche-neige", confirma o seu amor pelo electro depois de colaborações com Air, DJ Laurent Garnier e Daft Punk – de quem já tinha tomado emprestada a trilha sonora do filme "Tron" para sua peça "Gravidade".

Com informações da AFP

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