Após sequestro, estudante da UFRJ foi levado para o Sumaré para ser morto

Rafael Soares
·3 minuto de leitura

RIO - Após ser sequestrado, Marcos Winícius Tomé Coelho de Lima, de 20 anos, estudante de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi levado por traficantes para a Estrada do Sumaré, via que corta a Floresta da Tijuca. Lá, numa região próxima aos acessos das favelas Fallet, Fogueteiro e Turano, no Rio Comprido, região central do Rio, o jovem teria sido executado. Essa foi a conclusão da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) ao analisar dados dos celulares da vítima e do homem acusado de ser mandante do crime.

Marcos foi raptado na Urca, Zona Sul do Rio, após sair de um shopping nas proximidades às 21h47 do dia 8 de outubro do ano passado. A ação foi filmada por câmeras de segurança. As imagens mostram o rapaz pedalando, quando um carro branco surge na contramão e atinge a bicicleta elétrica da vítima. No carro, segundo a DHBF, estão Denner Dias Barcia Alves e Igor Moreira Dantas, atualmente foragido. O assassinato foi motivado pelo roubo de uma carga de drogas do qual a vítima teria participado dias antes. Um dos donos da carga seria Denner, preso desde dezembro como mandante do homicídio.

Às 22h48, dados do celular da vítima apontam que ele estava na Rua Barão de Petrópolis, que corta as favelas do Fallet e Fogueteiro. Já às 23h11, o celular usado por Denner fez uma ligação de um ponto bem próximo: a Estrada do Sumaré, próximo ao acesso ao Morro do Turano. Na ocasião, segundo o inquérito, Denner estava tentando se comunicar com José Ricardo dos Santos Pontes Junior, o Russão da Ilha, apontado como outro dono da carga. Russão também teve a prisão decretada pelo crime. Segundo os investigadores, no intervalo de 23 minutos entre os dois horários, os sequestradores ficaram circulando com a vítima pela região, cercada por favelas.

Às 1h35m do dia 9, o carro branco usado pelos criminosos foi flagrado por uma câmera de segurança em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, próximo ao local onde o corpo da vítima seria encontrado na manhã seguinte.

Um depoimento que faz parte da investigação confirma os dados dos celulares. Após ser preso acusado de monitorar a vítima antes do sequestro, Jaul Carvalho Carneiro de Mendonça afirmou à DHBF que ouviu de Denner que, após o sequestro, "foi até o Rio Comprido visando apresentar Marcos Winicius para os outros donos da carga de droga roubada". Lá a vítima teria sido agredida e executada por Denner com quatro tiros. Denner afirmou a Jaul que foi obrigado pelos demais donos da droga a matar Marcos Winicius.

Os traficantes que mataram Marcos Winícius são de classe média alta, especializados no trafico de drogas como Skunk, maconha hidropônica e haxixe.

A investigação da DHBF revela que, antes de ser executado, o estudante teria intermediado uma negociação para a encomenda de uma carga de skank, avaliada em R$ 80 mil. A droga, segundo o inquérito pertencia a Denner e Russão da Ilha. Quando a droga ia ser entregue, em Copacabana, amigos de Marcos Winícius assaltaram Denner, e levaram a mercadoria transportada.

A Polícia Civil investiga a participação de policiais militares no bando que roubou a droga. Conhecido como boteiros (dão um bote para se apropriar da carga), o grupo age em Botafogo, Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra e Recreio. Logo após o episódio, alguns integrantes do grupo de boteiros, amigos de Marcos Winícius, fugiram para São Paulo. Como ele ficou no Rio, acabou sendo morto pelos traficantes.

O Disque Denúncia (2253-1177) pede informações sobre o paradeiro de José Ricardo dos Santos Pontes Junior, o Russão da Ilha, Igor Moreira Dantas, que tiveram suas prisões decretadas pela Justiça e estão foragidos.