Após ser acusada de ciberataques por Washington, China acusa EUA de ciberataque

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia após ser acusada pelos Estados Unidos e países aliados de estarem por trás de uma campanha global de ciberataques e espionagem digital, a China usou do mesmo recurso para atacar os rivais.

A versão chinesa do Global Times (ou Huanqiu, em mandarim), jornal ligado ao Diário do Povo, veículo oficial do Partido Comunista Chinês, publicou na terça (20) que os Estados Unidos estão por trás de ataques hacker contra fábricas, universidades e instituições chinesas.

Sem indicar a fonte da informação e com poucos detalhes dos casos, o veículo chinês listou três episódios em que criminosos americanos teriam tirado páginas do ar e usado técnicas para descobrir senhas, entre outros ataques.

Descoberto em agosto de 2020, o primeiro ataque teria mirado 119 alvos, principalmente em universidades das províncias de Cantão e Pequim, segundo o Global Times.

A maior invasão foi descoberta em outubro do mesmo ano, quando outro grupo teria atacado 2.426 servidores, mirando o Partido Comunista, instituições governamentais, uma metalúrgica, uma indústria automobilística e universidades, diz o jornal.

Já o terceiro grupo, identificado também em outubro do ano passado, segundo o veículo, atacou 993 servidores em universidades das províncias de Cantão, Shanxi e Ganxi.

As acusações chinesas aconteceram um dia após EUA, Austrália, Japão, Nova Zelândia, Canadá, União Europeia e Otan (aliança militar ocidental), em um raro movimento amplo e coordenado contra Pequim, acusarem o governo Xi Jinping de patrocinar espionagem digital.

Segundo esses países, a China está por trás de ataques contra a Microsoft, além de outros alvos na África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Indonésia e Malásia, entre outros, com o objetivo de roubar segredos industriais e informações confidenciais sobre aviação, defesa, educação, governo, biomedicina e produção naval.

A versão internacional do Global Times não republicou o texto que traz as três acusações de ataques hacker, mas o corpo diplomático chinês não poupou esforços para reverter a narrativa no Ocidente.

O porta-voz da missão chinesa na União Europeia, por exemplo, afirmou que a China é firme defensora da segurança digital e que reprime ataques que partem de seu território. "As alegações da União Europeia e da Otan não são baseadas em fatos e evidências, mas em especulações e acusações infundadas", disse.

Classificando as acusações como "hipocrisia", a missão chinesa disse que "há anos certo país do Ocidente abusa de suas vantagens técnicas para espionar, massiva e indiscriminadamente, mesmo países aliados, ao mesmo tempo, se coloca como guardião da segurança digital."

O órgão afirmou que a China é "a maior vítima de ataques cibernéticos", e que em 2020 mais de 5 milhões de servidores na China foram controlados foram vítimas de cerca de 52 mil ataques hackers, com três países da Otan na origem desses crimes, disse, sem citar quais são. "Isso afeta gravemente a segurança nacional, o desenvolvimento econômico e social e as vidas do povo chinês", disse, afirmando que "politizar e estigmatizar não ajudam a resolver os problemas da segurança digital, só enfraquecem a cooperação e a confiança mútuas."

Essa troca de acusações acontece em meio às revelações feitas por veículos de imprensa que governos de todo o mundo estariam usando um software de espionagem contra jornalistas, opositores e ativistas. A lista de possíveis alvos inclui ainda chefes de Estado, como os presidentes Emmanuel Macron (França) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), além do rei do Marrocos, Mohammed 6º, e o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.

Os nomes apareceram em uma lista de mais de 50 mil números de telefones que teriam sido alvos do programa Pegasus, desenvolvido pela empresa NSO Group, com sede em Israel. O software permite a extração de dados de celulares, espionagem de conversas privadas e até ativação da câmera e do microfone do aparelho sem que o usuário se dê conta. A companhia é investigada pelo FBI, a polícia federal americana, pelo menos desde 2017, sob suspeita de roubo de dados.

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