Após ser contratado, homem trans é demitido de empresa em PE: 'cota de pessoas diferentes atendida'

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RIO — Contratado para começar a trabalhar nesta segunda-feira, em Petrolina (PE), Eduardo Príncipe de Lira Rocha foi surpreendido na véspera. No domingo, ele recebeu uma mensagem do empregador informando que havia mudado de ideia. A justificativa foi de que as “cotas de pessoas diferentes” estavam preenchidas. Rocha é um homem trans.

Ele relatou caso em suas redes sociais com prints da conversa com o empregador, que afirmou ter destinado a vaga a alguém do sexo masculino. Na mensagem, o empregador afirma que não percebeu que Rocha era trans. "De minha parte, não segui o roteiro correto das entrevistas e não o identificou na primeira hora", escreveu.

O empregador prossegue: "99% do meu quadro é composto por mulheres. Meu objetivo com essa vaga é contratar um monitor, consequentemente do sexo masculino. Minha cota de pessoas diferentes já está atendida e completa com o que demonstro não ter preconceito”.

Ao finalizar a mensagem, o empregador diz que só soube da "condição" de Rocha posteriormente e que não tem "nada contra", mas que a vaga é para o sexo masculino.

De acordo com Rocha, uma cópia da certidão de nascimento foi enviada para o empregador. No documento consta que o estado o reconhece como do sexo masculino. Mas de nada adiantou.

— Eu não tenho de onde tirar o aluguel do mês que vem. Não tenho, até o momento, uma previsão de como vou pagar as contas dos próximos meses. Eu sei que tá todo mundo fodido, lascado. Mas essa situação me faz perguntar: até quando? — escreveu Rocha, em suas redes sociais.

O GLOBO não conseguiu contato com o empregador de Rocha.

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