Após ser criticado, governador do RJ recomenda a Doria 'chá de camomila e que cuide de SP'

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***FOTO DE ARQUIVO***BRASILIA, DF,  BRASIL,  03-09-2020 - O governador interino do RJ, Cláudio Castro, fala com a imprensa ao deixar o MInistério da Economia, após reunião com o ministro Paulo Guedes. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 03-09-2020 - O governador interino do RJ, Cláudio Castro, fala com a imprensa ao deixar o MInistério da Economia, após reunião com o ministro Paulo Guedes. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O governador interino do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), reagiu em tom duro às críticas do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em razão da ausência de medidas restritivas à circulação em território fluminense para frear o ritmo de contágio do novo coronavírus.

Doria criticou o fato de Castro, aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ter se recusado a assinar uma carta endossada por 22 governadores em que pedem a criação de um comitê que conduza o combate à pandemia, que tenha participação dos três Poderes e de todos os níveis da federação, "além de uma assessoria de uma comissão de especialistas".

A iniciativa é parte da articulação que começou no fim de semana para que o Congresso assuma a linha de frente da coordenação da crise de Covid-19, diante da omissão e do negacionista de Jair Bolsonaro.

"[Castro] negou-se a assinar um documento chamado Pacto pela Vida e pela Saúde, que envolve medidas restritivas também nos seus respectivos estados. Ao invés de ter medidas que restrinjam e protejam sua população, fazem exatamente o oposto. Mas não cabe a mim fazer esse juízo", disse Doria ao anunciar a fase emergencial em São Paulo.

O governador fluminense reagiu com uma publicação em sua conta no Twitter.

"Respeito o governador de SP. Reconheço sua liderança, mas acho que está fora do tom. Espero que sua atitude não seja reflexo do novo cenário eleitoral, e sim por conta do aumento de casos da Covid. Recomendo a ele um chá de camomila e que cuide de SP, porque, do Rio, cuido eu", escreveu Castro, em aparente alusão à reconquista da possibilidade de se candidatar pelo ex-presidente Lula.

O governo do Rio de Janeiro ainda não determinou nenhuma medida de restrição no estado. O governador tem reunião marcada para esta sexta (12) com prefeitos para discutir o combate à pandemia, quando há expectativa de anúncio de novas medidas.

O Rio de Janeiro enfrenta uma situação menos grave do que outros estados, embora os casos tenham apresentado leve alta nos últimos dias. O estado registra 73% das suas UTIs ocupadas nesta quinta, com uma média de quatro horas de espera por um leito.

A capital, porém, tem situação pior. Desde novembro, o município mantém um índice acima de 80%, chegando agora a 90%. As variantes do vírus já são predominantes entre os casos analisados, segundo a Fiocruz.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM) decidiu flexibilizar parte das restrições que havia imposto há uma semana. O comércio na praia e na orla voltou a ser permitido, e o horário de funcionamento de bares e restaurantes foi estendido.

"[Elas podem] mudar em edição extraordinária, se a gente tiver alguma mudança brusca, ou até verificarmos algum comportamento inadequado por parte de alguns desses setores", disse ele em entrevista coletiva.

Os quiosques da orla, que haviam sido proibidos, podem reabrir das 10h30 às 21h. Já os ambulantes e barraqueiros fixos na areia, também vetados anteriormente, podem vender até as 17h. A previsão é de sol para o fim de semana, o que normalmente feito as praias cariocas ficarem cheias.

Bares e restaurantes só estavam liberados das 6h às 17h, mas agora passam a funcionar até as 21h, com atendimento por entrega e retirada após esse período. Na última semana, donos de estabelecimentos foram à Justiça contra a limitação e chegaram a conseguir uma liminar que alongou o expediente, mas ela foi derrubada no dia seguinte a pedido da prefeitura.

Os outros serviços poderão abrir das 8h às 17h, e os comércios, das 10h30 às 21h, inclusive em shoppings. Antes, as atividades com atendimento presencial em geral estavam permitidas das 6h às 20h. O objetivo dos horários escalonados, segundo a prefeitura, é evitar aglomerações no transporte público, que têm sido frequentes.

Todos os negócios citados no decreto devem seguir o limite de 40% da capacidade. Continua proibido permanecer nas ruas e praças das 23h às 5h (mas é permitido circular), promover qualquer tipo de evento ou festa e vender bebidas alcoólicas em bancas de jornal.

Além de supermercados, farmácias e serviços de saúde, as restrições não incluem padarias, academias de ginástica, cultos religiosos, bancos e hotéis ou pousadas. Também não valem para atividades esportivas e áreas comuns em condomínios.

A responsabilidade pela fiscalização é da Secretaria de Ordem Pública, da Guarda Municipal e da vigilância sanitária. Os agentes poderão apreender mercadorias, instrumentos musicais e veículos, assim como fazer interdições e aplicar multas --o valor é de R$ 562 para pessoas físicas e R$ 3.100 para estabelecimentos.

Locais que desrespeitarem as regras também podem ser fechados por até 15 dias e, caso não cumpram a interdição, perder o alvará de funcionamento definitivamente. Paes ressaltou na entrevista que as medidas serão duras.

Esta havia sido a primeira vez que o Rio restringiu atividades desde a reabertura em meados do ano passado. Mesmo quando os casos e mortes voltaram a subir, no final de 2020, as atividades econômicas e espaços de lazer permaneceram abertos.