Após ser palco de incêndios gigantescos, França reflete sobre mudanças climáticas

© Service de communication des pompiers de Gironde (SDIS 33) via AP

Depois dos incêndios que afetaram diversas regiões na França e uma seca que ainda ameaça quase todo o território do país, os jornais franceses desta segunda-feira (25) se questionam sobre como reparar os estragos causados pelo fogo, mas, principalmente, como reduzir os danos gerados pelas mudanças climáticas.

O rosto chamuscado e cansado de um bombeiro de uma brigada de incêndio estampa a capa do jornal Libération, que alerta para a ocorrência de incêndios cada vez mais frequentes e mais violentos, mesmo no norte da França, onde a incidência de desastres como esses sempre foi mais rara. A publicação destaca a demanda desses profissionais que lutam contra as chamas por melhores recursos para combater essas novas ameaças instauradas pelas mudanças climáticas.

Em seu editorial, o diário francês adverte que a violência dos incêndios vividos nas últimas semanas não passa de uma "amostra" do que ocorrerá nas próximas décadas, quando os especialistas do clima advertem que os episódios de ondas de calor e de seca se tornarão cada vez mais frequentes e intensos, multiplicando o risco de novos incêndios.

Com a manchete "Incêndios: a Gironde entre desolação e reconstrução", o jornal Le Figaro descreve o sentimento ao mesmo tempo de alívio e de tristeza de milhares de moradores da região que, com o controle dos incêndios, podem, enfim, voltar para suas casas. No entanto, o retorno das pessoas ocorre em meio a um cenário de destruição, cientes de que o desafio agora será o longo caminho para garantirem seus direitos a seguros e indenizações.

Sem mortos nem feridos?

Le Figaro contesta o balanço dos incêndios "sem mortos nem feridos", quando a floresta, sua fauna e sua flora pagaram caro pelo desastre. Um dano que será "ressarcido" em muitos anos.

Já a matéria de capa do Le Parisien se pergunta "Como restaurar nossas florestas", depois que os incêndios nas regiões de Gironde, Bretagne e Bouches-du-Rhône devastaram dezenas de milhares de hectares. O diário alega que sobre as cinzas e ainda meio à fumaça, é preciso refletir sobre como reparar os patrimônios culturais e ecológicos destas regiões, mas, também os danos econômicos.

O jornal se pergunta como dar vida de novo a esta "paisagem de desolação", que o presidente francês, Emmanuel Macron, chamou de "maior canteiro nacional", referindo-se à urgência de centralizar esforços de recuperação, ambiental e econômica, na região.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos