Após a soltura de von Richthofen, relembre os sete assassinos mais conhecidos do país

As tragédias que marcaram a sociedade brasileira voltam à tona quando, após 20 anos, uma das mais famosas assassinas do país, Suzane von Richthofen, deixa a cadeia. Abaixo, estão os sete casos mais conhecidos do país.

Bandido da Luz Vermelha - 1967

João Acácio Pereira da Costa, o "Bandido da Luz Vermelha", foi preso em 1967 acusado de ter matado quatro pessoas durante uma série de 20 assaltos a imóveis de famílias ricas de São Paulo. Ganhara o apelido famoso porque invadia casas nas altas horas da madrugada e, para enxergar com as luzes apagadas, usava uma lanterna de aro vermelho que roubou de uma filial das Lojas Americanas.

Condenado a 351 anos de cadeia por múltiplos homicídios, assaltos e estupros, passou 30 anos preso, até o dia 16 de agosto de 1997. Saiu alegando estar arrependido pelos crimes. Menos de um ano depois, foi morto com um tiro no rosto por um amigo que o ajudou. O acusado do crime alegou que atirou para proteger seu irmão, que estava sendo ameaçado por Acácio com uma faca.

Doca Street - 1976

Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, matou sua namorada, ngela Diniz, após intensa discussão na Praia dos Ossos, em Búzios, em 1976. Ele desferiu quatro tiros contra a mulher, sendo três no rosto e um na nuca. ngela Diniz ficou totalmente desfigurada. O caso foi levado a julgamento no dia 18 de outubro de 1979. Houve dois júris: no primeiro, a condenação foi de dois anos; no segundo, a pena foi elevada para 15 anos de reclusão.

A defesa de Doca alegou "legítima defesa da honra" para tentar absolvê-lo do caso, o que provocou indignação dos movimentos feministas. Ele alegou ter matado "por amor". Na época, o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) escreveu: "Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras", se referindo à estratégia da defesa de Doca Street de culpabilizar ngela Diniz pelo crime.

Doca morreu em 2020. Segundo familiares, ele teve um ataque cardíaco e morreu no Hospital Samaritano. Teve três filhos e netos.

Maníaco do Parque - 1998

Durante mais de um ano, Francisco de Assis Pereira aterrorizou a região próxima ao Parque Estadual Fontes do Ipiranga, entre São Paulo e Diadema. Entre 1997 até a sua captura, em 4 de agosto de 1998, na cidade gaúcha de Itaqui, o motoboy assassinou 11 mulheres e estuprou outras nove, que conseguiram escapar da morte. O Maníaco do Parque, como ficou conhecido, escolhia suas vítimas — jovens até 24 anos — a quem fazia falsas promessas de emprego ou de ensaios fotográficos. Bom de papo, chegou a dizer a uma funcionária do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que foi até a carceragem ver de perto o serial killer: "em meia hora de conversa, você sairia comigo".

Francisco confessou 11 assassinatos. No primeiro processo, em 30 de setembro de 1999, o juiz Luiz Augusto de Siqueira, da 16ª Vara Criminal, o condenou a 121 anos de prisão, por estupro e assassinato de cinco vítimas e violência sexual e roubo contra outras dez mulheres, além de atentado violento ao pudor. Em 25 de julho de 2002, foi condenado a mais 121 anos em processos por homicídio e ocultação de cadáver. Com o terceiro julgamento, a sentença do Maníaco do Parque totalizou 268 anos de prisão em regime fechado.

Suzane von Richthofen - 2002

Faltava pouco para meia-noite, em 31 de outubro de 2002, quando Suzane von Richtoffen chegou à mansão de sua família, no bairro do Brooklyn, em São Paulo, dirigindo seu carro, um modelo Gol de cor dourada. Acompanhada do namorado, Daniel Cravinhos, de 22 anos, e do irmão dele, Cristian, de 26, a estudante de 18 anos abriu a porta da casa e subiu até o segundo andar para confirmar que os pais, Manfred e Marísia, dormiam. Suzane, então, acendeu a luz do hall e fez sinal para os irmãos. Desceu, pegou alguns sacos de lixo e os deixou perto da escada. Depois, sentou-se no sofá com as mãos nos ouvidos.

Segundo a reconstituição policial dos acontecimentos daquela madrugada, 31 de outubro de 2002, os Cravinhos, então, subiram até o quarto dos pais da garota com barras de ferro nas mãos e se aproximaram da cama do casal. Daniel deu o primeiro golpe, atingindo a cabeça de Manfred. Quando Marísia se mexeu, Cristian bateu várias vezes na cabeça dela também. O engenheiro e a psiquiatra morreram ali mesmo.

O crime gerou comoção. Não só devido à participação da filha do casal morto, mas também pela forma como foi premeditado. Suzane e Daniel bolaram o assassinato com o intuito de ficar com a herança dos pais dela, que eram contra o namoro dos jovens, e chamaram Cristian para tomar parte. Antes de executarem o plano, deixaram Andreas, irmão caçula de Suzane, numa lan house em um bairro vizinho, afim de tirar de casa o menino de 14 anos. O menino, que hoje tem 32 anos, ficou com a herança da família — estimada em R$ 10 milhões — e fez doutorado em Química na USP.

Casal Nardoni - 2008

Em 29 de março de 2008, Isabella Nardoni, de 5 anos, foi jogada da janela do apartamento da família, no sexto andar de um prédio no bairro do Carandiru, na Zona Norte de São Paulo. Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, madrasta e pai de Isabella, foram condenados pelo crime. Eles negam, alegando que uma outra pessoa entrou na residência e matou a criança. O julgamento ocorreu em 2010 e eles seguem presos.

Segundo a sentença que condenou o casal Nardoni, Anna Carolina teria ferido Isabella Nardoni, de cinco anos, com uma chave de fenda e esganado na sequencia. Alexandre Nardoni então teria cortado a tela de proteção da janela e atitado a própria filha ainda com vida do sexto andar. Isabella foi encontrada pelo porteiro do prédio caída no jardim, levada para o hospital, mas morreu com múltiplos traumas.

Matsunaga - 2012

Companheira de Suzane von Richthofen na prisão de Tremembé, Elize Matsunaga foi condenada a xx anos por matar o marido, Marcos Matsunaga, executivo da Yoki, em 2012. A progressão de regime dela saiu no ano passado, quando ela deixou a cadeia. Elize era garota de programa quando conheceu Marcos, que virou seu cliente. Eles se casaram, tinham uma coleção de 34 armas em casa e tiveram uma filha.

Na noite do crime, ela conta que resolveu tirar satisfações após descobrir que o marido estava tendo casos fora do casamento. Segundo ela, Marcos a chamou de vaca, vagabunda e deu um tapa no seu rosto. Ela conta que ficou com medo da reação do marido que estava com uma outra arma próxima a ele. Elize, então, pegou uma arma e atirou na cabeça dele.

Após atirar em Marcos, Elize conta que arrastou o corpo do marido até o quarto para escondê-lo. Depois, decidiu cortá-lo em pedaços, botar dentro de sacos plásticos e depois dentro de uma mala para ocultar o corpo.

O serial Killer brasileiro - 2021

Invasões de fazendas, reféns, esconderijos em grotas, carro abandonado queimado, troca de tiros com policiais. Ao longo de 20 dias, Lázaro Barbosa de Souza, de 32 anos, cometeu uma série de crimes enquanto fugia de uma força-tarefa formada por mais de 200 policiais. Suspeito de ser um serial killer, com assassinatos cometidos na Bahia, Distrito Federal e Goiás, ele foi morto ao trocar tiros com a polícia, em Águas Lindas, de Goiás. Ele foi alvejado 38 vezes.

A ficha criminal de Lázaro remete a 2007, quando ele tinha 19 anos e matou duas pessoas em Barra dos Mendes, na Bahia. Em 2009, Lázaro foi preso acusado de estupro e, no Complexo Penitenciário da Papuda (CPP), foi apontado por um laudo psicológico como um “psicopata imprevisível”, com comportamento agressivo, impulsivo, instabilidade emocional e falta de controle e equilíbrio.

Em 2016, foi preso novamente por homicídio qualificado e estupro. Ele fugiu meses depois e desde então era considerado foragido da Justiça. Mesmo assim, Lázaro continuou a praticar crimes. Em abril de 2020, ele teria invadido uma propriedade em Santo Antônio do Descoberto, no entorno do Distrito Federal, e roubado o proprietário após agredí-lo com um machado.

Ele também é o principal suspeito de ter invadido uma casa em Sol Nascente, no Distrito Federal, rendido pai e filho e estuprado uma mulher. Pouco antes de ser morto, Lázaro teria feito uma família refém, obrigado as pessoas a ficarem nuas e obrigado as mulheres a fazer comida para ele.