Após sucesso em edição passada, ilustrador cativa web com desenhos fofos do ‘BBB21’

Gabriela Medeiros*
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Pocah dormindo na piscina, Gilberto dançando “tchaki tchaki” e Sarah de boné preto como espiã é quase rotina no "Big Brother Brasil 21", mas ganhou novos ares com uma ilustração fofa de Petit Abel. O designer gráfico e artista baiano, que já acumula mais de 100 mil seguidores no Instagram, tem ganhado fama a cada vez em que retrata um episódio do reality show da Rede Globo.

— Quanto mais aumentam os números nas redes, mais aumenta a cobrança e o montante de trabalho. Mas eu não posso fazer com que isso suprima o potencial criativo e a minha diversão em fazer o conteúdo. Desenhar para mim tem que ser uma diversão. A partir do momento que vira uma obrigação só com o que as pessoas pedem 100%, acaba perdendo a graça. Eu declaro as minhas torcidas, digo quem são meus preferidos e as pessoas vão comprando, vão seguindo. Essa ilustração é um símbolo de gratidão aos seguidores, porque eu recebo pedido de todas as torcidas e ali foi uma forma de atender todo mundo em um desenho só — diverte-se Abel, que leva entre duas e seis horas para fazer um desenho, contando o tempo de pesquisa e rascunho também.

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Ao desenhar personagens e cenas marcantes do “BBB”, o ilustrador, natural de Tucano (BA), também gosta de aproveitar a visibilidade para gerar reflexões. Após a fala polêmica de Karol Conká sobre Juliette, por exemplo, em que a cantora comparou a região de onde a advogada veio com o fato de ter ou não educação, o ilustrador nordestino não hesitou em se posicionar.

— Não pensei duas vezes para me posicionar sobre o episódio de xenofobia a partir de uma fala da Karol. Foi para mostrar: “Você que está chegando agora, vai encontrar 'BBB', mas nem só disso vive este perfil”.

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E o ativismo segue presente em todas as outras publicações. Mesmo antes de ilustrar os acontecimentos da casa mais vigiada do páis, o artista já compartilhava em sua página outros trabalhos com temas ligados à política, serviço e meio ambiente. Na época da tragédia de Brumadinho, uma de suas ilustrações foi parar na página de um jornal português. Outro pico, veio quando a atriz Paolla Oliveira compartilhou um desenho sobre defesa ao movimento LGBT ao mostrar diferentes tipos de beijos.

— Fez meu nome parar em sites de fofoca! A cada site que noticiava, aparecia o crédito com o meu nome. Fiquei muito sensibilizado por ser uma pessoa LGBT e ver que uma pessoa famosa utilizou o meu trabalho para mostrar o discurso dela anti-preconceito — recorda.

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O "clique" do baiano para começar a retratar o “Big Brother Brasil” veio na edição passada, com o relacionamento entre Gabi Martins e Guilherme Napolitano, visto por muitos como uma situação abusiva. A partir dali, um novo público chegou ao perfil do artista. Foi assim que, ainda na edição passada, ele fez os fãs do programa se apaixonarem pelo “Babuzinho”, uma caricatura fofa do ex-brother Babu Santana.

— Eu aprendi a trazer mais leveza para as coisas e isso veio através do feedback das pessoas. A maioria dos retornos que eu recebo são de: “sua ilustração me fez rir”, ou e“me fez chorar de emoção”, como quando desenhei o Gil ao lado da fantasia de abelha do Lucas.

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É por meio de enquetes e sugestões no Twitter que Abel seleciona as cenas que virarão suas próximas ilustrações. No entanto, ele reforça que suas opiniões sobre o jogo também são levadas em consideração no processo criativo.

— Em tempos de "BBB", (o processo criativo) está caótico, porque tudo muda a cada segundo ali (risos).Agora que eu estou com tanto tema de baixo do meu guarda-chuva, eu preciso ouvir cada vez mais o meu público. As pessoas muitas vezes me sugerem e é muito importante ter essa troca, mostrar que eu estou aberto ao diálogo, pois é isso que garante e fortalece o meu laço com as pessoas.