Após sugerir novo AI-5, Eduardo Bolsonaro rejeita ditadura 'porque o poder já está em nossas mãos'

Bruno Góes
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BRASÍLIA — O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse nesta segunda-feira ao Conselho de Ética da Câmara que rejeita possibilidade de uma ditadura porque "o poder já está em nossas mãos". Ele se referia ao seu mandato no Congresso e ao papel de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro. Eduardo falou sobre o assunto ao se defender em tramitação de processo para apurar a quebra de decoro parlamentar. O deputado foi denunciado por sugerir um novo AI-5, ato que cassou as liberdades individuais durante a ditadura militar.

Nesta segunda-feira, o relator do caso, Igor Timo (PODE-MG), sugeriu o arquivamento do processo, mas a sessão foi suspensa após pedido de vista.

— Já sendo eleito presidente da República, o menos interessado em que o país vire uma ditadura é o próprio presidente Jair Bolsonaro. Em igual conta, eu também, deputado federal mais votado da História do país. E muitos aí dizem que eu deveria ser cassado, uma total violação do nosso sistema representativo. Sou o menos interessado também em ter qualquer tipo de ditadura, porque o poder já está em nossas mãos — declarou Eduardo Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro foi denunciado após dar entrevista veiculada em canal do YouTube em 2019. Na ocasião, ele disse o país chegaria a um momento parecido com o "final dos anos 60", "quando sequestravam aeronaves" e "executavam-se e sequestravam-se grandes autoridades".

— Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E a resposta, ela pode ser via um novo AI-5, via uma legislação aprovada através de um plebiscito, como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada — declarou Eduardo Bolsonaro.

Nesta segunda-feira, Eduardo disse ainda que não teria "poder" para baixar um novo AI-5, além de se dizer injustiçado pelo processo. Igor Timo não não considerou o caso como quebra de decoro parlamentar.

— Entendemos que, conquanto a autoria e a materialidade dos fatos declinados nas representações estejam devidamente demonstradas, as condutas descritas não configuram afronta ao decoro parlamentar, tratando-se de verdadeiros fatos atípicos — declarou o relator, ao ler parecer.

Durante a sessão, Eduardo Bolsonaro também tentou explicar outra fala antidemocrática que viralizou em redes sociais. A alunos de concurso público, ele indicou que bastava "um cabo e um soldado" para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF).

— Em uma palestra dada a alunos de concurso público eu fiz, em tom jocoso, uma brincadeira parafraseando o presidente Jânio Quadros, que em certa medida falou: "Por alguns segundos, pensei em fechar o Congresso, e teria me bastado um cabo e dois soldados".

Na próxima semana, o conselho se reúne novamente para decidir se arquiva ou não processo, após análise de parecer do relator.