Após ter peça adiada por costela quebrada, Ângelo Antônio estreia no teatro, confessa vício em 'Pantanal' e aponta cena preferida

Mesmo com 10 peças no currículo e uma sólida carreira, Ângelo Antônio ainda sente o frio na barriga de uma estreia. Nesta quinta-feira, dia 21, o ator faz a primeira apresentação do monólogo "Um precipício no mar", texto inédito no Brasil, no Sesc Tijuca, no Rio. Escrito pelo inglês Simon Stephens e traduzido por Pedro Brício, o espetáculo foi elogiado pela crítica internacional e ganhou o ator logo de cara:

— Eu não estava num momento de fazer teatro, mas quando li esse texto, falei: “Não tem como”. É muito bem escrito, poético, objetivo. É um espetáculo curto, mas que costuma fazer as pessoas saírem lembrando de alguém, refletindo.

O drama, dirigido por Gabriel Fontes Paiva, propõe reflexões sobre temas como a paternidade, a masculinidade e o existencialismo contemporâneo. Ângelo elege justamente essa capacidade de levantar questões a serem pensadas como um dos pontos altos do espetáculo:

— A peça dá abertura para você pensar várias coisas. Como a gente está nessa nossa existência? Por que estamos aqui? Por que as coisas acontecem? Por que as perdas, os vazios? Estamos passando por um momento tão difícil nesse planeta, com violência, guerra, mentira, maldade... É uma peça simples, mas extremamente complexa.

Durante os ensaios, que aconteceram por um mês antes da estreia, o artista conta que era só ansiedade. "Dormia e acordava pensando nisso", ele diz. Mas um acidente acabou atrasando os planos de estreia: Ângelo quebrou as costelas e precisou ficar duas semanas de repouso.

— Foi num ensaio, uma besteira. Tinha uns movimentos, uma dança, que eu tinha que cair e a gente tem um praticável que é baixinho, tipo uns 60cm. E eu caí do lado errado, estava preparado para cair de um lado e caí do outro. Me pegou desprevenido e quebrou — conta o ator, que recebeu liberação médica para conseguir estrear o espetáculo. — Estou 50% recuperado, porque na verdade eu teria que ficar um mês de repouso e fiquei duas semanas. Mas com um médico acompanhando, ele me liberou para poder fazer.

Ângelo confessa que com as duas semanas sem ensaiar, o nervosismo aumentou: "Se já era assustador, agora ficou mais ainda (risos)", ele brinca.

Por causa do adiamento da estreia, a peça ficará em cartaz em curtíssima temporada no Rio, até o dia 31 de julho.

— Corria o risco de o médico não liberar, ficaríamos ainda mais tristes. No final sempre dá certo. De um jeito ou de outro. A peça termina falando isso, de certa forma — destaca ele.

Alcides na primeira versão de 'Pantanal'

Enquanto ensaia, Ângelo se esforça para não perder os capítulos de "Pantanal". Intérprete de Alcides na primeira versão do folhetim, ele avalia que o elenco atual "está fazendo muito bem" a novela e relembra quando estava gravando a trama, em 1990.

— Parece que foi ontem, sabe? E eu trouxe muitos amigos daquela época até hoje. É bacana demais rever a história e com uma nova pegada, outra qualidade técnica, a questão toda do meio ambiente. Tudo isso acho que tem muito a ver com o momento que vivemos agora, de descaso com a natureza. É importante essa novela agora para mostrar o valor da natureza e o quanto temos que cuidar dela para cuidar também de nós mesmos. Ainda mais com essa atualização que o autor está colocando — elogia Ângelo.

Apesar de preferir ver a novela no horário em que ela passa na TV ("sinto que está todo mundo vendo junto, parece ser meio ao vivo", ele explica), o intérprete do primeiro Alcides provavelmente terá que assistir à cena que mais o marcou depois que chegar em casa do teatro. Isso porque o momento aguardado por Ângelo está previsto para ir ao ar nesta quinta-feira: a briga entre Jove e o peão.

— “Pantanal” foi minha primeira novela, então foi muito marcante para mim. Era um sonho, eu queria muito fazer novela. E não foi fácil começar. A primeira cena que eu fiz mais bacana foi a da briga do Jove com o Alcides, que ele leva uma surra, bêbado... Aquela cena para mim foi incrível, foi a melhor que fiz naquela novela, naquele momento. Foi onde eu achei que me senti mais seguro, os colegas gostaram e vieram falar. Eu quero muito ver essa cena, por esse contexto todo, talvez até mais do que a castração ou quando o Alcides mata o Tenório. Acho que são três momentos bem fortes do personagem.

Logo em sua estreia em folhetins, seu personagem, amante de Maria Bruaca (Ângela Leal), é castrado pelo marido dela, Tenório (Antonio Petrin). Na época, essa vingança foi muito comentada, e ainda não se sabe se a cena estará presente na nova versão.

— Eu achava que seria legal ter de novo (a cena da castração) porque mostra quem é o Tenório cada vez mais, valoriza o vilão que ele é. Ao mesmo tempo, na época foi uma comoção muito grande. Benedito (Ruy Barbosa, autor da primeira versão da novela) teve que reescrever ali, falar que não castrou direito, que ainda daria certo ele com a Bruaca porque teve uma manifestação grande pelos dois — destaca Ângelo, para concluir: — Talvez não tenha essa cena agora para evitar esse problema, deixar o casal legal, sem esse desespero do povo sobre o que aconteceu. Hoje já não sei mais se é legal ter, talvez não valha a pena fazer o povo passar por isso de novo (risos).

Serviço da peça:

A peça acontece no Teatro 2 do Sesc Tijuca (R. Barão de Mesquita, 539 – Tijuca) e tem classificação livre. Os ingressos custam R$ 30 a inteira, e as sessões acontecem às 20h nesta quinta e sexta-feira. Sabado e domingo, dias 23 e 24, bem como de quinta a domingo da próxima semana (28 a 31) haverá sessões às 18h e às 20h.

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