Após tomar posse, Queiroga promete aumentar em três vezes o ritmo da vacinação contra Covid-19

Julia Lindner e Renata Mariz
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No primeiro pronunciamento após tomar posse, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, prometeu nesta quarta-feira aumentar em três vezes o ritmo da campanha de vacinação contra a Covid-19 no país. De acordo com Queiroga, é possível passar de 300 mil imunizados por dia para 1 milhão em um curto espaço de tempo porque "o Brasil tem condições de vacinar muitas pessoas". Ele também garantiu que recebeu autonomia para fazer indicações na pasta, com a criação de uma secretaria especial para cuidar da pandemia do novo coronavírus.

Queiroga afirmou que o primeiro compromisso do governo é garantir uma "forte campanha de vacinação" contra a Covid-19. E defendeu que houve um esforço do Executivo para garantir doses dos imunizantes à população.

O ministro disse, ainda, que o Brasil vive uma "emergência sanitária de importância internacional" há mais de um ano e que o presidente Jair Bolsonaro entendeu que deveria haver um médico no comando do Ministério da Saúde. Ele pediu um voto de confiança da população.

— Quando o médico não pode curar, precisa aliviar. E quando não pode curar, nem aliviar, precisa confortar. Um médico precisa ser um especialista de gente — declarou.

No discurso, Queiroga afirmou que assume a posição com apoio de outras pastas, como a Defesa, para auxiliar na logística, a Inteligência, para administrar o transporte, a Casa Civil, na área institucional, e as Comunicações, com ações para informar a população.

— O Sistema Único de Saúde (SUS), instituído com a Constituição de 1988, prescreve ser a saúde um direito de todos e um dever do Estado, garantido diante de políticas sociais e econômicas — disse.

Queiroga anunciou nomes da nova equipe. O secretário-executivo será Rodrigo Castro, apresentado como funcionário de carreira do Ministério da Economia. A Secretaria de Atenção à Saúde Especializada será comandada por Sérgio Okane, diretor do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

Questionado se o Ministério da Saúde vai manter a orientação sobre cloroquina e hidroxicloroquina, remédios sem comprovação de eficácia para a Covid-19, Queiroga disse que compete ao médico, dentro de sua autonomia, receitar os medicamentos que julgar necessários, ainda que off-label (fora da indicação da bula). Ele afirmou, no entanto, que a pasta irá "buscar o que existe de comprovado".

— É uma relação medico-paciente e caso a caso deve ser decidida. Mas a minha opiniao em relação a essa questão é que temos que olhar para a frente e buscar o que existe de comprovado. E é isso que o Ministério da Saúde vai fazer.

O ministro disse que a pasta vai trabalhar de forma clara sobre os dados da Covid-19, ao ser questionado sobre a mudança feita pelo ministério hoje em relação à compilação dos números passados passados pelas secretarias. Novas exigências fazem os dados caírem substancialmente.