Após vazamento de dados, PSOL pede ao MPF investigação de Queiroga e Bia Kicis

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Após o vazamento de dados pessoais de três médicos favoráveis à vacinação infantil, a bancada do PSOL pediu ao Ministério Público Federal (MPF) a instauração de um inquérito para investigar possíveis crimes cometidos pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF).

A legenda pede o esclarecimento do papel de ambos no caso. Os especialistas participaram de audiência pública realizada pelo governo para tratar da imunização. Favoráveis à aplicação de doses em crianças, os profissionais foram alvo de ataques por grupos contrários à vacina nas redes sociais. Eles tiveram dados como CPF, e-mail e número de celular expostos na internet. Essas informações pessoais foram prestadas inicialmente ao Ministério da Saúde, antes da audiência.

À colunista do GLOBO Malu Gaspar, Kicis admitiu que compartilhou o conteúdo por mensagem, mas alegou que não foi a responsável pelo vazamento. A deputada participou da audiência e se disse contrária à vacinação obrigatória de crianças. Queiroga também se eximiu de qualquer responsabilidade e afirmou que não era “fiscal” da pasta para responder pelo ato.

“O problema, neste caso, é que imagens dos documentos foram divulgadas na íntegra, sem ocultar dados como CPF, e-mail e celular – o que é irregular. A Deputada Federal Bia Kicis (PSL-DF), apoiadora do presidente Jair Bolsonaro, admitiu ao jornal que repassou as informações pessoais dos especialistas em grupos de WhatsApp”, diz o pedido do PSOL.

O partido diz que a possível participação de ambos no caso afronta o princípio da moralidade, além de violar a lei de proteção de dados.

“Verificadas as ilegalidades no descumprimento dos ditames legais/constitucionais, que sejam tomadas as providências administrativas, civis ou penais cabíveis”, pede o PSOL. O documento é assinado pelos deputados Talíria Petrone (RJ), Ivan Valente (SP), Fernanda Melchionna (RS), Vivi Reis (PA), Áurea Carolina (MG), Glauber Braga (RJ), David Miranda (RJ), Luiza Erundina (SP) e Sâmia Bomfim (SP).

À época do vazamento, Kicis afirmou que pensava que os dados fossem públicos.

— Compartilhei em um grupo de zap de médicos. Quando me avisaram no Ministério da Saúde que alguém havia postado, pedi imediatamente que quem o fez removesse. Mas o ministério me informou que os documentos iriam para o site. Por isso entendi que eram públicos — argumentou Kicis.

“Voltando a audiência pública supracitada, um dos médicos prejudicados afirma que o vazamento começou ainda no início dela. Os médicos tiveram seus CPFs, e-mails e números de celulares disponibilizados na internet – e amplamente divulgados pelas hostes bolsonaristas”, diz ainda a representação do PSOL.

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