Após versão mentirosa sobre assalto, polícia descobre que mulher foi baleada em discussão com o marido na Zona Oeste do Rio

Rafael Nascimento de Souza
·3 minuto de leitura

A Delegacia de Bangu (34ª DP) investiga a origem de um disparo que atingiu uma técnica de enfermagem de 42 anos, na casa em que ela mora com a filha de 13 anos e o companheiro, um aposentado de 59, em Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio. O caso correu na de quinta-feira. A profissional de saúde e o marido discutiam quando ela foi belada por um tiro que atingiu suas mãos e o abdômen.

A técnica está internada no Hospital municipal Albert Schweitzer, em Realengo, também na Zona Oeste. A princípio, o marido da mulher mentiu na unidade de saúde, e disse que ela havia sofrido uma tentativa de assalto quando entrava em casa, ao voltar do trabalho. O aposentado afirmou ainda que pelo menos três homens armados teriam pulado o muro da residência. A história chamou a atenção dos policiais. Durante a perícia na casa, os investigadores notaram que a versão não era verdadeira.

— Quando a equipe da 34ª DP chegou lá (na casa), notou-se que era impossível alguém pular o muro da residência no local onde ele havia sinalizado anteriormente. Já que as casas são geminadas e seria impossível alguém passar por ali. Além disso, os policiais viram que não haviam manchas de sangue na areá externa da casa. Quando eles entraram na residência notaram que as marcas de sangue estavam espalhados pelos cômodos e as poças maiores estavam no quarto do casal — conta o delegado Luís Maurício Armond Campos, titular da 34ª DP.

No hospital, em uma conversa preliminar com os policiais, a técnica de enfermagem também confirmou a versão do marido. Posteriormente, admitiu que o casal combinou a versão de tentativa de assalto. A polícia também descobriu que o casal havia brigado um dia antes da ocorrência e que as discussões pioraram qando a técnica voltou para casa.

Aos policiais, marido e mulher contaram que começaram uma discussão e acabaram se agredindo mutuamente. Em determinado momento, o homem pegou o revólver e passou a ameaçar a esposa. Em depoimento, o aposentado contou que a mulher tentou puxar a arma de sua mão e quando isso aconteceu, houve o disparou. Ele negou que tenha disparado contra a companheira.

Para saber quem apertou o gatilho do revólver calibre 38 os investigadpres também solicitaram um exame residuográfico, capaz de detectar vestígio de pólvora, na mão da enfermeira e do homem.

— Ambos não souberam dizer quem apertou o gatilho. Por isso, eu pedi o exame residuográfico nas mãos dos dois. No hospital, ela assumiu que inventou a história para protegê-lo. Ele também confirmou que ambos criaram a versão de tentativa de assalto — completa Luís Maurício.

O revólver 38 — com numeração raspada —, dois estojos e um coldre foram achados no guarda-roupa do casal.

Em 2019, o aposentado já havia sido detido por agredir a companheira. Desta vez, o homem foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal.

Em nota, a Secretaria municipal de Saúde (SMS) informou que, segundo a direção do Hospital Municipal Albert Schweitzer, a paciente passou por cirurgia e está recebendo os devidos cuidados. O estado de saúde dela é estável.