Após violência na Virada, prefeitura de SP quer câmeras e policial à paisana em eventos

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 29.05.2022 - Público acompanha o show dos Barões da Pisadinha no palco de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, durante a Virada Cultural. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 29.05.2022 - Público acompanha o show dos Barões da Pisadinha no palco de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, durante a Virada Cultural. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após o registro de arrastões, roubos e ao menos seis pessoas esfaqueadas na Virada Cultural, que aconteceu no último fim de semana em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que um reforço na segurança está previsto para os próximos megaeventos da cidade.

A lista inclui a Parada LGBT (que acontece em 19 de junho), o Esquenta do Carnaval (que deve ocorrer em 16 e 17 de julho) e a Marcha Para Jesus (programada para 9 de julho).

"Com os ensinamentos desta virada, vamos fazer um trabalho melhor nos próximos eventos", disse ele na manhã desta terça-feira (31), durante o início de obras de combate às enchentes do Ribeirão Perus. Entre as novas ações estão a instalação de câmeras para identificação e de vigilância e a presença de policiais à paisana.

Em sua fala, o prefeito minimizou os problemas da Virada, disse que o evento foi positivo e atribuiu a responsabilidade da segurança ao governo do estado. "Tivemos esse incidente no Vale do Anhangabaú, que foi mais no sábado do que no domingo porque a situação se resolveu com a presença da Polícia Militar mais ativamente no Vale."

Em nota divulgada em seu site, a Secretaria de Segurança Pública do estado informou que a operação para o evento mobilizou 1.400 policiais e 300 viaturas. Além disso, a pasta disse que os agentes apreenderam 46 celulares e abordaram 585 pessoas, sendo que 10 delas foram detidas, a maioria na região central.

Rafael Alcadipani, professor da FGV-SP e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, disse houve um erro de planejamento das equipes de segurança responsáveis pela Virada Cultural.

Para ele, situações assim tiram a credibilidade de eventos públicos da cidade de São Paulo. "As pessoas podem ficar com medo, alguns até chamam de Virada Criminal. Eu acho que falta o Estado aprender com os próprios erros para evitar que cenas lamentáveis como as que vimos aconteça. É preciso mais policial, ação mais coordenada e organizada."

Sobre os próximos eventos, Alcadipani disse que não necessariamente serão mais vazios em decorrência da falta de segurança da Virada Cultural. "São Paulo sabe dos problemas de segurança. As pessoas estão sedentas para sair para a rua, ter atividades públicas e, por consequência disso, suponho que não vão deixar de frequentar."

O Esquenta do Carnaval, nome dado à folia fora de época proposta pela administração municipal, está previsto para os dias 16 e 17 de julho. A data foi apresentada pela gestão Ricardo Nunes (MDB) em reunião no último dia 20 de abril, entre a Secretaria Municipal de Cultura e representantes de 11 coletivos de Carnaval.

O evento foi proposta às vésperas do feriado de Tiradentes, quando escolas de samba desfilaram no Anhembi com autorização, mas blocos não conseguiram aval da gestão municipal. As inscrições para blocos se cadastrarem tiveram início no fim de abril e duraram até 8 de maio --o formulário foi preenchido por 296 blocos.

Em um manifesto publicado nesta segunda-feira (30), coletivos de blocos de rua reclamam da falta de comunicação com a prefeitura. "Nada mais se falou, nenhum contato de confirmação, nenhuma nota da secretaria de cultura, nenhuma ação de organização ou confirmação dos cadastrados, nada", disse a nota.

"Vários blocos já começaram a se organizar, mas frente a tamanha indefinição como mobilizar a comunidade, músicos, bandas, realizar ensaios, fazer adereços, estrutura de som, levantar fundos para viabilizar financeiramente o bloco?", segue o manifesto.

Procurada, a Secretaria Municipal de Cultura informou que publicará um edital de financiamento do evento nos próximos 10 dias. Além disso, no próximo dia 6 de junho foi marcada uma reunião com os representantes de blocos.

"A gestão da secretária Aline Torres é aberta ao diálogo, portanto o comitê será constituído para que todas as partes estejam alinhadas para a organização do evento", disse a pasta. A reportagem encaminhou questionamentos para a secretaria a respeito da organização do evento, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

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