Após vitória de Gustavo Petro, última guerrilha ativa na Colômbia abre caminho para diálogo

Após a eleição história de Gustavo Petro na Colômbia, guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), última guerrilha ativa no país, anunciaram sua “total disposição” para retomar as negociações de paz, iniciadas no governo de Juan Manuel Santos, em 2017, e interrompidas durante o governo de Iván Duque, em 2019.

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Em comunicado, o Comando Central do grupo armado, que reúne as mais altas lideranças guerrilheiras do ELN, dirigiu-se ao próximo presidente, ele mesmo um ex-guerrilheiro, que já disse no passado e em seu programa de governo que restauraria o diálogo.

“O ELN mantém ativo seu sistema de luta e resistência política e militar, mas também sua plena disposição de avançar em um Processo de Paz que dê continuidade à Mesa de Conversas iniciada em Quito, em fevereiro de 2017”, diz o comunicado.

O processo de diálogo com a guerrilha foi interrompido depois que membros do ELN atacaram uma escola de cadetes, em Bogotá, com um carro-bomba, em 2019.

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Durante a campanha, Petro afirmou em várias ocasiões que estaria disposto a retomar as conversas com o ELN, após as “lições aprendidas com o acordo com as Farc”, assinado em 2016. Em seu programa de governo, também foi incluída uma proposta para desmantelar pacificamente “os grupos sucessores do paramilitarismo e aqueles ligados ao narcotráfico”, por meio da Justiça.

Surgido em 1964 no auge da Revolução Cubana, o ELN opera hoje financiando-se, principalmente, com recursos oriundos do narcotráfico. A organização conta atualmente com cerca de 2.500 combatentes e com uma extensa rede de apoio em áreas urbanas, especialmente na fronteira com a Venezuela e o Pacífico. Dez dias antes do primeiro-turno, a guerrilha anunciou um cessar-fogo temporário.

No manifesto publicado nesta segunda, o ELN alertou Petro a “não fazer mais do mesmo”:

“Se o presidente eleito tomar posse no dia 7 de agosto para fazer as mudanças que nos levam a superar o clientelismo e acabar com a violência na política, avançar nos planos de inclusão social que contemplem emprego e empreendedorismo para a maioria, um plano de Reforma Agrária, um novo modelo para o combate às drogas e dar continuidade ao Processo de Paz, a Colômbia terá um governo apoiado pelo movimento popular, mas se resolver fazer mais do mesmo terá o povo nas ruas. ”

Com o codinome Aureliano, Petro ingressou aos 17 anos no M-19, uma guerrilha intelectual e urbana. Em 1985, foi capturado pelos militares, que o torturaram nos estábulos do Exército. Quando saiu da prisão, falhou em sua tentativa de criar uma célula armada. Voltou à vida civil em 1990, quando o M-19 assinou um acordo de paz com o governo.

Fora da luta armada, antes de ser eleito como o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, no último domingo, foi deputado, senador e prefeito de Bogotá, entre 2012 e 2015. Durante seu governo, a cidade atingiu as menores taxas de homicídios em 20 anos.

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