Apagão gera incerteza sobre eleições municipais no Amapá e candidatos da capital defendem adiamento

Marlen Couto
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MACAPÁ - A crise iniciada com o apagão de energia que atinge 89% da população do Amapá gerou incerteza sobre a viabilidade das eleições municipais no estado previstas para a próxima semana. Ao menos três dos quatro candidatos a prefeito de Macapá mais bem posicionados nas pesquisas defenderam ao GLOBO que o primeiro turno seja adiado nas cidades que estão sem fornecimento de energia. A avaliação é a de que há incerteza sobre quando o problema será efetivamente resolvido e não é possível continuar com as atividades de campanha até o dia 15 de novembro.

O desabastecimento começou na noite da última terça-feira após um incêndio em uma subestação de energia localizada na Zona Norte da capital. Faltando nove dias para o primeiro turno do pleito, a última previsão do Ministério de Minas e Energia é que a energia seja estabelecida em todo o estado em até 10 dias.

Antes do apagão, que já dura três dias, o estado registrava aumento do número de casos e mortes por Covid-19. Na semana passada, a prefeitura de Macapá proibiu atividades de campanha nas ruas, com o objetivo de evitar aglomerações, e vetou a circulação de moradores após as 21h.

Parte dos candidatos já havia defendido o adiamento das eleições por conta da explosão de casos de Covid-19. Entre os candidatos a prefeito da capital, defendem o adiamento das eleições o ex-governador João Capiberibe (PSB), conhecido como Capi, que lidera as intenções de voto segundo as últimas pesquisas, Patrícia Ferraz (Podemos) e Dr Furlan (Cidadania).

O GLOBO não conseguiu contato com a campanha de Josiel Alcolumbre, que é irmão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), e tem o apoio do atual prefeito da capital, Clécio Luis (sem partido), e do governador, Waldez Goes (PDT). Josiel está empatado com Ferraz e Furlan em segundo lugar, segundo o Ibope.

Procurado para comentar a possibilidade de o pleito ser adiado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que qualquer providência que o TSE possa vir a tomar a respeito da crise energética no Amapá ocorrerá a partir de solicitação a ser feita por parte do Tribunal Regional Eleitoral do estado. A eleição deste ano já foi adiada em todo o país este ano de outubro para novembro em razão da pandemia. Para fazer a mudança na data, foi preciso aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso.

Capiberibe afirma que a situação é caótica e que as autoridades do estado e federais têm falhado na condução da crise:

— A eleição não tem como acontecer. O governo tem dificuldade de atenuar o sofrimento das pessoas e não se tem informação de quando teremos uma solução. Nenhuma autoridade vem a público. Estamos mergulhado nas mais profundas trevas. A situação é dramática. As pessoas não conseguem dormir com o calor, os alimentos estão escassos. As pessoas também não têm dinheiro, porque os cartões, assim como os celulares, não funcionam. As filas nos postos estão intermináveis, inclusive com aglomerações. As pessoas estão se sentindo abandonadas.

Dr. Furlan defende que a eleição seja remarcada para o dia 29 novembro, data prevista para o segundo turno.

— Esse mês nós tivemos um aumento brutal do número de casos de Covid. A campanha já estava sendo afetada pelos decretos da prefeitura proibindo manifestações políticas. As pessoas estão com dificuldade de ter água e gelo, os comerciantes estão perdendo totalmente suas mercadorias — pontua o candidato.

Por meio de sua assessoria, a candidata Patrícia Ferraz destacou que o adiamento das eleições "seria a medida mais coerente e necessária no momento" e que "a segurança dos cidadãos vem em primeiro". Também enfatizou que o aumento de casos de coronavírus impossibilita a realização do pleito. Nas redes sociais, a candidata também tem feito críticas ao governo do estado. eleições