Apaixonado pela ex-sogra em ‘Totalmente Demais’, Daniel Rocha diz que também se atrai por mulheres mais velhas

Naiara Andrade
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De jogador de futebol gay, que se encanta por uma piriguete e forma um trisal com ela e outro craque, a fotógrafo machista, que se torna um romântico incorrigível ao se apaixonar pela ex-sogra. Difícil decidir qual das duas tramas soa mais mirabolante. Daniel Rocha viveu e reviveu as duas experiências em cena, com a recém-terminada reprise de “Avenida Brasil”, no “Vale a pena ver de novo”, e a edição especial de “Totalmente Demais”, de volta ao horário das sete da Globo. Roni e Rafa chegaram a ficar simultaneamente no ar por quase um mês, em abril, instigando os noveleiros de plantão sobre o paradeiro do ator.

— Tem um tempinho que não faço novela, estou me dedicando mais a séries e filmes. O pessoal tem mandado mensagens pelas redes sociais dizendo que sente falta de mim. Acho fofo como criam empatia pelos atores e seus personagens — comenta o paulistano de 29 anos, cuja última novela foi “A lei do amor”, em 2016.

E olha que Rafael nem é um cara tão carismático assim...

— Não que ele seja um vilão, mas tem uma energia um pouco pesada, não é solar. Mesmo assim, o público criou um tipo de afeto por ele por saber que passou por um trauma. Entende que ele desenvolveu aquele jeito meio estranho numa tentativa de se proteger — analisa o intérprete do fotógrafo que até então acredita ter perdido a noiva num acidente de carro e faz o estilo pegador até se apaixonar pra valer: — Ele foi um cafajeste com a Lu (Julianne Trevisol), mas se mostrou carinhoso ao se envolver com Lili (Vivianne Pasmanter), mais madura que ele.

Para Daniel, esse tipo de relacionamento não causa estranheza alguma.

— Nunca me apaixonei por uma ex-sogra, mas é óbvio que isso seria possível, por que não? Costumo namorar mulheres mais velhas que eu, nunca da mesma idade. Elas já tiveram até sete, dez, 15 anos a mais. Com 20, me envolvi com uma de 35. Não tenho problema com isso, elas me atraem — assume o galã, relembrando a injeção de autoestima que a trama provocou nas quarentonas e cinquentonas quando foi ao ar pela primeira vez, há cinco anos: — A mulherada se sentia potente, sendo representada por aquela mãe de família amada por um cara mais jovem.

Em breve, Sophia (Priscila Steinman), a tal noiva falecida de Rafael, ressurgirá na novela das sete. Revela-se que ela forjou a própria morte, foi morar na Europa e está de volta em busca de dinheiro. O inesperado retorno, é claro, vai abalar o romance do fotógrafo com a dona da Bastile. Em depressão, ele acaba se aproximando de Leila (Carla Salle) e tem com ela seu final feliz.

— Era uma surpresa atrás da outra. Eu nem pensava muito, só ia fazendo. Tinha torcida para que Rafa terminasse tanto com Lu quanto com Lili e Leila — lembra Daniel, que não assiste à reprise com afinco: — Tenho um sério problema em me ver em trabalhos antigos. Não é prazeroso, muito pela minha autocrítica. Eu faria tudo diferente hoje em dia, ganhei mais experiência. Para a época, foi ótimo. Mas hoje eu me daria uma nota 7.

Entre filme romântico e série de suspense

Uma herança que Daniel guarda tanto de “Totalmente Demais” (2015) quanto de “Avenida Brasil” (2012) é a amizade com o diretor Thiago Teitelroit. O início da quarentena, o ator passou na casa do amigo. Thiago, que já namorou Vivianne Pasmanter, foi visto no Rock in Rio do ano passado dando colo a Letícia Lima. Três meses depois, circularam burburinhos de que a atriz, de 36 anos, na verdade, mantinha um romance secreto com Daniel, então recém-separado da dermatologista Laíse Leal, de 34. Os atores fizeram par romântico no filme “Quem vai ficar com Mário?”, sem data de estreia definida. Teria a vida imitado a arte?

— Não rolou nada. A gente fez o filme junto e ficou amigo. Dizem que eu terminei sem nem assumir o meu próprio namoro, vê só! Eu acho engraçado. Estou solteiro! — garante o ator, que tem compartilhado a quarentena com as cadelas Sansa e Olga: — Só saio de casa para o básico. Não posso bobear com esse vírus, tenho bronquite asmática.

Confinado, ele intensifica a prática do violino, instrumento que aprendeu a tocar ainda na infância, para a série de suspense “A névoa”, da HBO.

— Estávamos na 30ª diária de gravação, em São Paulo. Não sei quando voltaremos. Com isso, não vou mais poder participar da produção sobre Betinho, não vai dar para conciliar — revela ele, que seria Chico Mário, irmão do sociólogo, também violinista, na série do Globoplay.

Ano passado, ele lançou aquele que considera seu trabalho mais desafiador da carreira: a série “Irmãos Freitas”, exibida pelo canal Space, em que interpretou o lutador Popó.

— Fiz um teste e, por sorte, fui escolhido entre 800 atores. Eu estava muito a fim, nunca tinha feito um protagonista assim. Sempre fiz coadjuvantes, e aconteceu de eu virar Popó, um ídolo que está vivo e estava presente com a gente em todo o processo. Foi o meu trabalho mais maduro até agora. No meu Instagram, muita gente manda direct parabenizando e pedindo segunda temporada — diz ele, que virou amigo pessoal do boxeador baiano: — Nos falamos direto, até hoje. A parceria foi fundamental na construção do personagem. Eu me entreguei, quebrei ossos do nariz e da mão, não quis dublê. Escolhi isso porque faz diferença, fica mais verdadeiro. Perdi cinco quilos em dez horas, desidratei como lutador mesmo. Foi visceral o lance.