Apaixonado pelo Brasil, jornalista inglês assassinado no AM foi morto na floresta que queria salvar

Jornalista inglês, Dom Phillips trabalhou como correspondente no Brasil por mais de 15 anos. No país ele escreveu reportagens para dezenas de jornais de todo o mundo, sobretudo, a respeito de temas ambientais. Ele estava desaparecido desde 5 de junho, quando fazia uma expedição pela região amazônica na companhia do indigenista Bruno Araújo Pereira. Nesta quarta-feira, os dois suspeitos presos confirmaram ter assassinado a dupla.

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Ele foi ao Vale do Javari retorno após ter recebido uma bolsa da Alicia Patterson Foundation, para o financiamento do projeto "Como salvar a Amazônia?" que selecionou nove jornalistas que se dedicam ao tema, e que resultará em um livro. A viagem com Pereira fazia parte do seu roteiro de pesquisa e apuração.

No site da agência literária Janklow & Nesbit é possível encontrar a sinopse do livro que Phillips vem desenvolvendo:

"Dom Phillips viaja pelas profundezas da Amazônia para nos mostrar o lugar mais maravilhoso da Terra, com toda a sua glória vibrante, frágil e radiante: a Amazônia. Com esse argumento, Phillips detalha a biodiversidade amazônica, mas denuncia o aumento das emissões de carbono e do desmatamento, o que poderão levar a Amazônia a um desequilíbrio climático e redução das chuvas. O livro "Como Salvar a Amazônia?" é descrito como, em parte, um diário de viagem, e em parte um guia motivado por desespero ambiental, pois Dom Phillips nos leva ao coração dessa grande maravilha do nosso planeta, mostrando-nos a miríade de povos que ela sustenta e as muitas maneiras pelas quais podemos evitar o colapso deste incrível ecossistema".

Phillips chegou ao Brasil em 2007 e morava em Salvador com sua mulher, Alessandra Sampaio. Neste período, ele foi colaborador de jornais como "The Washington Post", "The New York Times", "Bloomberg" e "Financial Times". Antes de se mudar para a capital baiana, o jornalista viveu no Rio e em São Paulo.

O jornalista conheceu Pereira em 2018, quando os dois fizeram uma expedição semelhante à de agora, no Vale do Javari. A convite da Associação União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), o jornalista embarcou na viagem de 17 dias que tinha, como objetivo, localizar indígenas da etnia Korubo.

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Discreto, Phillips participava em Salvador de um projeto social no qual ensinava inglês para jovens de bairros periféricos da capital baiana. Seus alunos realizaram uma manifestação para cobrar a descoberta do paradeiro do jornalista e de Pereira, quando eles estavam desaparecidos.

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Na última quarta-feira, o jornalista britânico Tom Phillips, correspondente do jornal The Guardian no Brasil, compartilhou nas redes sociais a última foto enviada à família por seu colega Dom Phillips. Apesar do mesmo sobrenome, eles não são parentes.

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Na publicação no Twitter, Tom escreveu: "Obrigado a todos os cidadãos brasileiros, artistas, políticos e influenciadores que estão ajudando a espalhar a notícia do desaparecimento do nosso amigo. Esta é a última foto que Dom enviou para sua família antes de desaparecer com Bruno. Ele ama o Brasil e a Amazônia e tenho certeza que está grato pelo apoio".

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