Apaixonado pelo Brasil, jornalista inglês assassinado no AM foi morto na floresta que queria salvar

Jornalista inglês, Dom Phillips trabalhou como correspondente no Brasil por mais de 15 anos. No país ele escreveu reportagens para dezenas de jornais de todo o mundo, sobretudo, a respeito de temas ambientais. Ele estava desaparecido desde 5 de junho, quando fazia uma expedição pela região amazônica na companhia do indigenista Bruno Araújo Pereira. Nesta quarta-feira, os dois suspeitos presos confirmaram terem assassinado a dupla.

Phillips chegou ao Brasil em 2007 e morava em Salvador com sua mulher, Alessandra Sampaio. Neste período, ele foi colaborador de jornais como "The Washington Post", "The New York Times", "Bloomberg" e "Financial Times". Antes de se mudar para a capital baiana, o jornalista viveu no Rio e em São Paulo.

Phillips conheceu Pereira em 2018, quando os dois fizeram uma expedição semelhante à de agora, no Vale do Javari. A convite da Associação União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), o jornalista embarcou na viagem de 17 dias que tinha, como objetivo, localizar indígenas da etnia Korubo.

O retorno neste ano aconteceu após Phillips ter recebido uma bolsa da Alicia Patterson Foundation, como parte do projeto "Como salvar a Amazônia?" que selecionou 9 jornalistas que se dedicam ao tema, e que resultará em um livro. A viagem com Pereira fazia parte do seu roteiro de pesquisa e apuração.

Em Salvador, Phillips participava de um projeto social no qual ensinava inglês para jovens de bairros periféricos da capital baiana. Seus alunos realizaram uma manifestação para cobrar a descoberta do paradeiro do jornalista e de Pereira, quando eles estavam desaparecidos.

Na última quarta-feira, o jornalista britânico Tom Phillips, correspondente do jornal The Guardian no Brasil, compartilhou nas redes sociais a última foto enviada à família por seu colega Dom Phillips. Apesar do mesmo sobrenome, eles não são parentes.

Na publicação no Twitter, Tom escreveu: "Obrigado a todos os cidadãos brasileiros, artistas, políticos e influenciadores que estão ajudando a espalhar a notícia do desaparecimento do nosso amigo. Esta é a última foto que Dom enviou para sua família antes de desaparecer com Bruno. Ele ama o Brasil e a Amazônia e tenho certeza que está grato pelo apoio".

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