Apalavrado com o Flamengo, Jesus volta ao Rio consciente de que não terá aumento esperado

Diogo Dantas

O mundo era outro quando Jorge Jesus, campeão brasileiro e da Libertadores com o Flamengo, iniciou o processo de renovação contratual com o clube. O técnico volta ao Brasil nesta sexta-feira, após férias em Portugal, consciente de que não terá o aumento esperado, devido às consequências econômicas da pandemia do coronavírus. Mais do que isso, retorna apalavrado com o clube de que permanecerá até 2021.

"Ele está muito bem no Flamengo. É tudo uma questão de se chegar a um entendimento", afirma um dos envolvidos nas negociações. Elas serão retomadas para valer com o retorno do treinador ao Rio, mas os valores sugeridos por Jesus e seus representantes mudaram de patamar. Atualmente, ele recebe na casa de R$ 1,5 milhão, e a pedida inicial depois de um ano de títulos e recordes se aproximava do dobro do valor.

A proposta do Flamengo, ainda no começo da pandemia, sugeria aumento para a faixa dos R$ 2 milhões para Jesus, sem contar a comissão técnica. E também considerava a cotação do euro abaixo dos R$ 5. Hoje, a moeda extrapolou os R$ 6. Se antes a diretoria já considerava inviável ceder a pretensões mais elevadas do treinador, agora, depois da demissões de funcionários, está ainda mais reticente.

Mas o caminho natural após a valorização de quase todo o elenco é fazer o mesmo com seu comandante. No departamento de futebol, houve queixas, depois da demissão de funcionários, de que a prioridade da diretoria era apenas manter Jesus. Portanto, pagar ao técnico valores acima da realidade financeira e do orçamento, já totalmente comprometido este ano, é visto internamente como um tiro no pé da austeridade vista nos últimos anos.

O entendimento que ainda falta é fixar o valor do euro que vai balizar os pagamentos de Jorge Jesus e sua comissão técnica composta por sete profissionais, todos pagos em moeda estrangeira. A ideia da diretoria era usar a cotação de dezembro, ao redor de R$ 4,50. E manter a proposta feita a Jesus, com bonificações por títulos tão generosas quanto as do ano passado, quando o mister recebeu R$ 9 milhões por Libertadores e Brasileiro.

No momento, o Flamengo não tem plano B. Chegou-se a pensar em Marcos Silva, português que trabalhou no Everton da Inglaterra ano passado.