Aparição de indígenas isolados perto de aldeia no Vale do Javari gera tensão e temor de conflito

Servidores da Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari (FPEVJ), da Funai, e agentes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, acompanham desde segunda-feira tensão vivida pelo indígenas Marubo na aldeia São Joaquim depois que Indígenas isolados foram avistados às margens do rio Ituí. A presença e a aproximação inédita deles geram preocupação de indigenistas que temem pelo contato e possível conflito. O Vale do Javari tem a maior concentraa

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Uma sala de situação foi criada para organizar uma missão de helicóptero até o local. A Aldeia São Joaquim fica a três dias de barco de Atalaia do Norte, mesma distância onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips foram assassinados no dia 5 de junho. Por terem resposta imunológica menos eficiente para combater infecções virais eles são ainda mais vulneráveis e suscetíveis a doenças.

Os relatos do aparecimento foram feitos ao GLOBO por Valdir Marubo e Lucas Marubo, da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). De acordo com os Marubo, eles estão em frente a comunidade do outro lado do rio, "gritando e muito agitados" em língua desconhecida, o que gera tensão entre os demais indígenas.

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- Ao que parece estão pedindo ajuda. Passei rádio para os Marubo da aldeia para não dar comida e nem ferramentas para não haver contaminação de gripe. Dessa vez eles chegaram muito perto da comunidade e precisamos cuidar para que não haja conflito - diz Lucas Marubo.

- Quando as mulheres indígenas foram até a roça tirar banana foram surpreendidas com a presença de isolados muito agitados e falando uma língua que não foi reconhecida por elas - afirma Valdir Marubo.

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Habitam o Vale do Javari os povos Marubo, Mayoruna, Matis, Kanamari, Tsohom Djapa, Kulina Pano e Korubo. Há ainda o registro de ao menos 16 povos isolados, dos quais dez já foram confirmados e outros seis estão em estudo.

Localizada no oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru, a Terra Indígena Vale do Javari teve seu processo de demarcação finalizado no governo Fernando Henrique Cardoso, em 2001, e possui uma extensão territorial equivalente a quase dois estados do Rio de Janeiro (85,4 mil km²). É considerada a segunda maior demarcação depois da Terra Yanomami (96, 6 mil km²), homologada em 1992, pelo ex-presidente Fernando Collor.

Bruno e Dom

Justiça Federal de Tabatinga (AM) aceitou a denúncia do Ministério Público Federal e tornou réus pelos crimes de duplo homicídio qualificado e ocultação dos corpos contra os três principais suspeitos de participação nas mortes: Amarildo da Costa Oliveira, vulgo Pelado, Jeferson da Silva Lima, o Pelado da Dinha, e de Oseney da Costa Oliveira, o Dos Santo. Todos eles são ligados à prática de pesca ilegal na região, sobretudo em território indígena do Vale do Javari.

Além da participação de outros homens na ocultação dos corpos, que foram esquartejados, parcialmente queimados e enterrados em covas no meio da floresta, a Polícia Federal também investiga a participação no crime de Rubens Villar Coelho, peruano conhecido como Colômbia, preso este mês após apresentar-se à polícia com documentos falsos. Ele é tido como uma das principais lideranças do esquema de pesca ilegal na região e seria chefe de Amarildo. O homem nega participação nas mortes de Dom e Bruno. Há suspeita, inclusive, de que o peruano possa ter sido o mandante do crime.

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