Apartamento na Tijuca vira cenário de peça de teatro

Regiane Jesus
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RIO — Rua Doutor Otávio Kelly, Tijuca. O endereço não é de um teatro. Mas a arte milenar, que pode acontecer em praça pública ou em espaços com estrutura confortável, exibe sua reinvenção dentro de um apartamento, onde vivem um casal e dois cachorros. É lá que parte da peça “O espigão”, protagonizada por Gabriel Morais e Mariah Miguel, está sendo encenada desde o último dia 18 e permanecerá em cartaz, em curta temporada, até o dia 28.

As apresentações, de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h, são transmitidas, com ingressos gratuitos, pelo Zoom (ferramenta de reuniões pela internet). Para garantir acesso ao espetáculo, que tem classificação indicativa de 14 anos, basta fazer a retirada do convite através do Sympla (bit.ly/ingresso Espigao).

Enquanto sua mulher, Beatriz Medeiros, fica no quarto, operando o Zoom, Morais, na sala de casa, compartilha com o público uma história pessoal, que aconteceu quando ele estava com 18 anos: a namorada da juventude o trocou por sua irmã. A partir deste fato, o ator reflete, contracenando à distância com Mariah, que está em outro apartamento, sobre temas humanos, como ego e as dificuldades de um heterossexual lidar com uma situação como esta.

— Eu recebo o público numa sala virtual para visitar as minhas memórias de uma experiência dolorosa. Esta é uma tentativa de reelaborar o que vivi. A ideia era que essa troca com o espectador fosse presencial, mas adaptamos o espetáculo para o on-line, no esquema cada um na sua casa, e está dando muito certo — diz Morais, também autor do texto contemplado com a Lei Aldir Blanc, que beneficia o setor cultural neste momento da pandemia de Covid-19.

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