Apartamentos decorados são vendidos de 'porteira fechada'

·3 minuto de leitura

Uma dúvida que surge com frequência na hora de comprar um apartamento é se os ambientes do novo imóvel vão comportar bem todos os móveis do futuro morador, deixando ainda a área de circulação confortável. Há algum tempo, as unidades decoradas por arquitetos e designers de interiores possibilitam uma noção clara de como os móveis podem ser distribuídos de maneira simples e sofisticada, ajudando o comprador a ter certeza de que está adquirindo o imóvel certo para suas necessidades.

Mas o capricho na decoração tem atingido a fundo o sonho dos compradores, transformando essas unidades em objetos de desejo com tudo o que têm dentro – sem tirar nem pôr. Não por acaso, os decorados agora são fontes de um negócio diferenciado para construtoras e incorporadoras: a venda de "porteira fechada".

Além da exclusividade, quem faz essa modalidade de compra está de olho na praticidade, já que o imóvel estará prontro para entrar e morar, sem o transtorno de aguardar a chegada de móveis e eletrodomésticos e sem o risco de ocorrer algum dano na instalação de equipamentos, como condicionadores de ar, por exemplo. E as incorporadoras fazem de tudo para seduzir os clientes.

— As colchas e cortinas são produzidas sob medida para cada apartamento, e os móveis, adquiridos em lojas renomadas. Até o pote para guardar arroz está na cozinha — explica a gerente de Marketing da Fernandes Araujo, Flávia Katz.

A incorporadora acaba de vender um apartamento de porteira fechada em uma das ruas mais nobres da Tijuca. A compradora queria presentear a neta, recém-casada, e não pensou duas vezes quando viu o decorado. A generosa vovó talvez esteja com dupla intenção, pois o imóvel, entre outros itens de decoração, já tem um quarto de criança prontinho, com o tema futebol.

— A venda de "porteira fechada" é um bom negócio para o cliente e para a incorporadora. E, quando o cliente consegue incluir a decoração no financiamento, ainda facilita mais, porque a despesa com o mobiliário vai no pacote da compra do imóvel —diz Flávia.

Os decorados caíram no gosto também dos investidores. No retrofit do Flamengo Palace, no Flamengo, um dos estúdios de 57 metros quadrados, decorado para o período de vendas, foi adquirido justamente por causa do design interior e da decoração.

— A marcenaria cria uma divisão entre a sala e o quarto, permitindo que os ambientes fiquem integrados ou não. Um cliente de fora do Rio viu o decorado e comprou na hora — afirma o sócio da construtora e consultoria D2J, Daniel Afonso, acrescentando que a demanda por essas unidades não para de crescer.

A Cyrela tem dois decorados que entraram na categoria aspiracional dos clientes, ambos no Riserva Golf, na Barra da Tijuca. O de 648 metros quadrados já foi vendido e leva a assinatura do estúdio italiano Pininfarina, que, além de projetos de arquitetura, faz design de carros para Ferrari e Maseratti. O outro ainda nem foi colocado à venda e já tem interessados, graças ao design do Yoo Studios, que, entre outros arquitetos, conta com o badalado Philippe Starck.

— Vários corretores perguntam se vamos vender o decorado. Dificilmente, por conta própria, alguém conseguiria chegar ao Yoo Studios. Então, quem comprar terá um imóvel único — diz Carlos Bandeira de Mello, diretor de Incorporação da RJZ Cyrela.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos