Apenas 14% dos pequenos negócios que buscaram crédito durante pandemia conseguiram, aponta pesquisa

Patricia Valle
Segundo pesquisa do Sebrae, a maioria dos pequenos empresários buscou empréstimos em bancos públicos, mas este tiveram a menor taxa de aceitação

Os pequenos empresários não estão conseguindo obter empréstimos no mercado em meio à crise do novo coronavírus. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae, com parceria da Fundação Getúlio Vargas, mostrou que a procura por crédito aumentou entre 7 de abril e 5 de maio, no entanto, apenas 14% dos empreendedores tiveram o empréstimo aprovado, enquanto 58% tiveram o pedido negado e 28% têm seus pedidos em análise. 

A pesquisa ouviu 10.384 microempreendedores individuais (MEI) e donos de micro e pequenas empresas de todo o país e mostrou que 88% das buscas por empréstimos foram em instituições bancárias. Já entre os que procuraram em fontes alternativas, parentes e amigos (43%) são a fonte de empréstimos mais citada, seguidos de instituições de microcrédito (23%) e negociação de dívidas com fornecedores (16%). 

A primeira opção foi pelos bancos públicos (63%), seguidos dos bancos privados (57%) e cooperativas de crédito (10%). Entretanto, avaliando a taxa de sucesso desses pedidos, o estudo do Sebrae mostrou que as cooperativas de crédito lideram na concessão de empréstimos (31%) e, na sequência, aparecem os bancos privados (12%) e os bancos públicos (9%).

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A pesquisa mostrou ainda que a maioria dos donos de pequenas empresas (89%) apontou uma queda na receita mensal, enquanto 4% não perceberam alteração de faturamento, apenas 2% conseguiram registrar aumento de receita no período e 5% não quiseram responder. Na média, o faturamento dos pequenos negócios foi 60% menor do que no período pré-crise.

Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, esse comportamento pode ter diversas razões, entre elas: as elevadas taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras, o excesso de burocracia ou a falta de garantias por parte das pequenas empresas:

— Por essa razão, o Sebrae está trabalhando para ampliar o volume de instituições parceiras para a operação do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe). Já contamos com 12 organizações, entre bancos públicos e privados, cooperativas de crédito e agências de fomento.

Outros especialistas apontam que o medo de calote dos bancos em meio a crise está travando o crédito.

— Notamos uma enorme dificuldade, pelas empresas, em obterem crédito bancário a valores razoáveis. Os bancos parecem não estar muito dispostos a dar crédito para empresários — avalia Eduardo Gonzaga Oliveira de Natal, professor e tributarista, sócio do escritório de advocacia Natal & Manssur.

 

Na última segunda-feira, (18) o presidente Jair Bolsonaro sancionou o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), com 85% dos recursos garantidos pela União. No entanto, foram vetados dois itens importantes na avaliação dos especialistas:  o que estabelecia carência de oito meses para início dos pagamentos e a prorrogação por mais 180 dias dos prazos para pagamento de parcelamentos da Receita Federal e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. O Congresso pode rever esses dois vetos, mas a medida já está valendo. 
 

A lei assegura taxa de juros anual máxima igual à Selic mais 1,25% sobre o valor concedido, com prazo de 36 meses. Mas acaba com a carência de oito meses, período em que as parcelas seriam reajustadas apenas pela taxa Selic. Segundo o Palácio do Planalto, a carência “contraria interesse público e gera risco à própria política pública, ante a incapacidade dos bancos públicos de executarem o programa com as condições apresentadas pelo projeto”.

Especialistas apontam que as carências oferecidas não serão o suficiente para ajudar os pequenos empresários.