Apenas 3% dos policiais e militares se elegeram nas capitais, apesar do aumento de candidatos

Rayanderson Guerrra
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Reprodução/Instagram
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O número de agentes de segurança que registraram candidatura para um dos cargos de prefeito e vereador pelo país cresceu 29% nas capitais desde a última eleição municipal, em 2016. Apesar do crescimento, apenas 3% dos policias militares, civis, bombeiros e militares candidatos neste pleito foram eleitos. Levantamento do Globo em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que dos 818 candidatos, apenas 24 foram eleitos: 20 vereadores e quatro vice-prefeitos.

A primeira eleição após a vitória de Jair Bolsonaro (sem partido) — acompanhada à época de um recorde de agentes de segurança eleitos para cargos legislativos — não repetiu o cenário eleitoral de dois anos atrás, quando uma onda conservadora arrastou dos quartéis para as Câmaras uma tropa de "novos políticos".

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O número de policiais (militares e civis) eleitos nas capitais neste pleito teve um leve aumento se comparado à eleição passada. Em 2016, 12 PMs e sete policiais civis foram eleitos vereadores. Já este ano foram 14 PMs (11 vereadores e três vice-prefeitos) e sete civis para as Câmaras.

No Rio de Janeiro, dos 93 candidatos apenas dois obtiveram sucesso nas urnas. O bolsonarista Gabriel Monteiro ficou em terceiro lugar, com 60.326 votos computados, atrás apenas de Carlos Bolsonaro (Republicanos) e Tarcísio Motta (PSOL). O youtuber e policial militar acumula mais de um mês de detenção — fruto de punições administrativas — em menos de quatro anos na PM do Rio. O soldado chegou a receber duas punições por fatos ocorridos quando ainda era aluno da PM. Na política, Monteiro se tornou um ferrenho defensor do presidente e cresceu nas redes sociais, com mais de cinco milhões de seguidores.

Já a candidata tenente coronel Andréa Firmo, vice na chapa do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que tentará a reeleição contra o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) no segundo turno, foi a única militar das Forças Armadas a passar para o segundo turno nas capitais e ter chances de vitória. Primeira mulher do Exército a comandar uma base militar em missão da Organização das Nações Unidas (ONU), na África, Firmo se filiou ao partido do prefeito para a disputa e ocupou o espaço reservado ao bolsonarismo, numa tentativa de aproximação entre Crivella e o presidente.

O partido de Crivella foi a sigla que teve o maior número de representantes oriundos das forças de segurança eleitos (7), seguido por PSD e MDB, com três cada. O PSL, que conseguiu levar 43 policiais e militares para o Congresso Nacional e para as Assembleias Legislativas estaduais em 2016, não repetiu o feito e teve apenas dois vereadores eleitos, um em Campo Grande (MT) e outro em Curitiba (PR).

O levantamento levou em consideração todos os candidatos que, no pedido de registro de candidatura, declaram ser bombeiro militar; militar reformado; membro das forças armadas; policial civil e policial militar.